Economia
Agro corre contra o tempo para conter o tarifaço de Trump
Setores de carne, café, fruta e pescados se mobilizam ao passo que os efeitos já atingem a cadeia produtiva
Redação Agro Estadão
01/08/2025 - 14:36

O agronegócio brasileiro está correndo contra o tempo para tentar frear os prejuízos causados pelas tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos (EUA) sobre produtos importados. Apesar do governo norte-americano ter incluído o setor de laranja e castanhas na lista de exceções, divulgada nesta semana, produtos como café, carnes, ovos, açúcar, mel, pescados e frutas tropicais seguem sujeitos à nova tarifa.
O prazo para que a medida entre em vigor é 07 de agosto, conforme resolução da Casa Branca, publicada na quinta-feira 31. Anteriormente, segundo falas de Donald Trump, o tarifaço começaria a valer nesta sexta-feira, 01.
Temendo os impactos nas cadeias produtivas, alguns setores se mobilizaram e pediram ao governo brasileiro linhas de crédito emergenciais. A medida está sendo estruturada.
Carne bovina
Conforme noticiado pelo Agro Estadão, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) estima que o país deixe de exportar, neste ano, 200 mil toneladas de carne bovina aos EUA, o que representa cerca de US$ 1 bilhão em perdas.
Além disso, segundo a entidade, a tarifa de 50% inviabiliza as exportações para o segundo maior mercado comprador. Diante da incerteza, alguns frigoríficos já interromperam a produção voltada ao mercado norte-americano, impactando o preço da arroba paga ao pecuarista.
Pescados
Vislumbrando um impacto irreversível na cadeia de pescados, cerca de 10 dias antes da oficialização da tarifa, a Associação Brasileira das Indústrias de Pescado (Abipesca) se antecipou e solicitou uma linha emergencial de crédito de R$ 900 milhões ao Governo Federal. O valor é para o capital de giro das empresas.
A medida é apontada pela Abipesca como uma alternativa para que não haja uma ruptura na cadeia. Essa ruptura é temida pois os peixes da piscicultura que seriam endereçados ao mercado americano nos próximos meses já estão nos tanques. Segundo a Associação, a interrupção das exportações poderá desencadear uma onda de pedidos de recuperação judicial, uma vez que as empresas não terão capacidade de honrar seus compromissos financeiros
Enquanto o crédito, em análise no governo, não chega, produtores do interior de São Paulo freiam os investimentos e interrompem as exportações.
Frutas
Temendo o efeito das tarifas sobre o setor de frutas, em especial a maga e a uva — com a colheita concentrada entre setembro e outubro para atender os EUA —, a Associação Brasileira de dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) não descarta solicitar uma linha emergencial de socorro ao governo federal.
A Abrafrutas entende que não há possibilidade de redirecionar essa produção para outros mercados, gerando uma perda total aos produtores.
Esse é o temor dos agricultores no Vale do São Francisco, que consideram não colher a produção de manga este ano. Caso isso ocorra, as frutas podem apodrecer no pomar, precisando ser enterradas posteriormente. Conforme o produtor Amauri José Bezerra da Silva relatou ao Agro Estadão, a situação é de total incerteza e desoladora.
Ovos
Devido à gripe aviária que atinge a produção norte-americana, o país elevou exponencialmente a importação de ovos do Brasil — mais de 15 mil toneladas embarcadas e uma receita de US$ 33 milhões no primeiro semestre de 2025. O volume exportado, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal, representou um crescimento de mais de 1.000% em comparação ao mesmo período do ano passado.
Com isso, o setor de ovos também deve sofrer com as tarifas, mesmo que os embarques totais ao exterior representem menos de 1% da produção nacional.
Newsletter
Acorde
bem informado
com as
notícias do campo
Mais lidas de Economia
1
Arábia Saudita quer aumentar em 10 vezes sua produção de café
2
Decisão sobre salvaguardas da China leva tensão ao mercado da carne bovina
3
Banco do Brasil usa tecnologia para antecipar risco e evitar calotes no agro
4
Rumores sobre salvaguarda da China para carne bovina travam mercado
5
China cancela compra de soja de 5 empresas brasileiras
6
Exportadores alertam para perda irreversível do café brasileiro nos EUA
PUBLICIDADE
Notícias Relacionadas
Economia
Exportações de café ainda sentem efeito das tarifas dos EUA
Em novembro, embarques recuaram quase 27% na comparação anual; por outro lado, as receitas seguem avançando
Economia
Anec eleva projeção de exportação de soja em dezembro para 3,33 mi de t
Novo número representa um crescimento 18,5% em relação à projeção de 2,81 milhões de toneladas divulgada na semana passada
Economia
Com superávit de US$ 21 bi, agro paulista mantém 2º lugar em exportações no País
Vendas externas de janeiro a novembro de mostram altas em café, carnes e soja; açúcar, produtos florestais e sucos tiveram recuo
Economia
PIB, juros e inflação: CNA aponta o que esperar para 2026
Confederação analisa resultados do setor em 2025 e aponta perspectivas para a agropecuária no próximo ano
Economia
Cecafé: exportador tem prejuízo de R$ 8,7 mi com infraestrutura defasada
Atrasos e limitações nos portos impediram embarque de 2 mil contêineres
Economia
CNA projeta impacto negativo de US$ 2,7 bilhões com tarifas americanas em 2026
Em balanço e perspectivas para o próximo ano, a entidade também destacou que o setor deve ficar atento à relação com a China e com a União Europeia
Economia
Argentina reduz impostos sobre as exportações de grãos
Apesar de tímidas, as reduções podem pressionar os preços futuros, sobretudo da soja, já afetada pelo ritmo lento das compras chinesas, avalia Carlos Cogo
Economia
Salvaguardas agrícolas endurecem acordo Mercosul–UE; saiba o que mudou
As alterações incluem prazos mais curtos e a aplicação das normas de proteção para produtos agrícolas, como carne bovina e aves