Agropolítica
Gripe aviária: chega a 10 países com suspensão total das exportações de carne de frango do Brasil
Malásia também suspendeu exportações de carne de frango brasileira
Daumildo Júnior* | Brasília | daumildo.junior@estadao.com | Atualizada às 15h10
19/05/2025 - 10:14

Até a manhã desta segunda-feira, 19, nove países informaram que suspenderam todas as exportações de carne de frango produzida no Brasil. China, União Europeia, Canadá, África do Sul, Chile, Argentina, Uruguai, México e Coreia do Sul compõem a lista até o momento, confirma o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Luis Rua, ao Agro Estadão. A Malásia é o décimo país a também suspender integralmente as compras de carne de frango brasileira, segundo o Valor Econômico/Globo Rural e confirmada pelo Broadcast Agro.
China, União Europeia, Canadá, África do Sul, Chile, Argentina, Uruguai, México e Coreia do Sul geraram uma receita de US$ 3,26 bilhões no ano passado. De acordo com o Broadcast Agro, isso representa 33,5% do que o segmento faturou em 2024 com as vendas internacionais.
Além disso, há países com restrições regionalizadas. É o caso do Japão, que embargou a proteína de frango vinda do município de Montenegro (RS), foco do caso de gripe aviária. O país asiático também comunicou a suspensão das importações de aves vivas vindas do Rio Grande do Sul.
Brasil tem 6 casos sob investigação
De acordo com o painel de monitoramento sobre Síndrome Respiratória e Nervosa das Aves, o Brasil tem seis casos sendo investigados no momento. Os dados foram atualizados na manhã desta segunda-feira, 19, e mostram pelo menos dois casos em granjas comerciais.
A jornalistas nesta segunda, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que “não houve” detecção de gripe aviária nessas outras duas granjas em investigação. O ministro reforçou que o sistema de controle está em funcionamento operando com rigor.
“Todo o sistema está mais alerta, todos os sistemas estaduais estão alerta para qualquer tipo de suspeita, e a própria população também. Um criador de aves de subsistência ou uma granja comercial, ao primeiro sintoma de um animal doente, por qualquer doença que seja, inclusive respiratória, alerta-se e coloca-se no sistema. É melhor que assim o seja. A gente vai lá, investiga, porque com a transparência e confiança, bloqueando e investigando esses casos, a gente ganha também em credibildiade”, disse Fávaro.
Uma das investigações acontece em uma granja comercial localizada em Aguiarnópolis (TO). No último domingo, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou que “a análise preliminar das amostras coletadas, revelou a presença de Influenza A, com baixa probabilidade de se tratar de amostra de alta patogenicidade, tendo em vista as características epidemiológicas, laboratoriais e clínicas observadas na investigação”.
Outros dois casos em granja comercial estão em investigação no estado de Santa Catarina, no município de Ipumirim. As demais suspeitas são em granjas domésticas de subsistência localizadas em Sergipe, Ceará e Mato Grosso.
Em uma Nota Técnica, divulgada na noite desse domingo, 18, o governo gaúcho confirmou estar analisando “uma ocorrência em aves de subsistência evoluiu para coleta de amostra, em regime de atendimento de qualquer evento nas áreas de vigilância. A amostra será submetida à prova diagnóstica”.
Ao todo, o país já teve 168 focos de influenza aviária de alta patogenicidade, sendo apenas um em granja comercial. Foram mais de 3,9 mil investigações realizadas no Brasil desde 2022.
*Com informações do Broadcast Agro
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