Agropolítica
Fávaro: Brasil mira cotas de exportação não cumpridas por outros países na China
Ministro afirma que essa possibilidade de compensação nas vendas de carne bovina é considerada estratégica em negociações com os chineses
Sabrina Nascimento | São Paulo | sabrina.nascimento@estadao.com
31/12/2025 - 13:06

O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, afirmou nesta quarta-feira, 31, que o Brasil irá iniciar negociações com a China para assumir cotas de exportação de carne bovina que, eventualmente, não sejam cumpridas por outros países. Essa possibilidade de compensação é considerada estratégica pelo governo brasileiro e deve ser um dos principais pontos do diálogo com o governo chinês a partir dos primeiros dias de 2026.
“Podemos compensar países que talvez não cumpram a sua cota e eles podem transferir essa cota para o Brasil, que dá conta. Por exemplo, os Estados Unidos não exportaram para a China no ano passado. Se não exportar, a gente [Brasil] pode cumprir a cota de outro país. São negociações que vão ocorrendo”, explicou.
Fávaro destacou que esse processo não ocorrerá de forma imediata e será ajustado gradativamente ao longo do ano. As negociações, segundo ele, são permanentes e fazem parte da dinâmica do comércio internacional. “Durante o ano, vamos fazer os ajustes necessários, sempre em diálogo com a China”, afirmou, ressaltando que a relação bilateral entre ambos os países vive um dos seus melhores momentos.
Além da compensação, o Brasil buscará entender agora como funcionará a fase de implementação prática das cotas, que passam a valer a partir deste 1º de janeiro de 2026. Nos próximos dias, técnicos dos dois países devem discutir detalhes operacionais. “Vamos começar uma fase de implementação de fato disso, a partir de depois de amanhã [sexta-feira, 2]. Nós vamos discutir se o que vale para contar a cota é o que embarcar a partir de amanhã [quinta-feira, 1º] ou o que já foi embarcado, o que chega lá. São detalhes”, salientou.
O ministro reforçou que a negociação direta com a China busca garantir o abastecimento do país asiático com carne de qualidade, preços competitivos e sem tarifas excedentes. “O Brasil está pronto para atender à demanda chinesa, o que contribui também para o controle da inflação de alimentos naquele país”, disse.
Medida esperada
A salvaguarda para a carne bovina, segundo Fávaro, já era esperada, devido à investigação aberta pelo governo chinês no último ano. O objetivo da medida, conforme informado pelo ministério de Comércio da China, é proteger a produção local por meio da criação de cotas globais, sem discriminação entre países. O volume total definido foi de 2,5 milhões de toneladas, com base na média das importações dos últimos 36 meses.
Dentro desse limite, o Brasil ficou com uma cota de 1,106 milhão de toneladas, o equivalente a 44% do total importado pela China com as tarifas regulares atuais. “2024 foi um ano de grande expansão. Passamos de 50% das exportações da carne bovina para a China, em função também do tarifaço e inclusive, claro, da competitividade da carne brasileira. Mas, de um modo geral, não é algo tão preocupante, porque nós trabalhamos muito para ampliação dos mercados”, disse, ressaltando a abertura de 20 novos mercados para a carne bovina do Brasil realizadas pelo atual governo.
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