Economia
Carne bovina: o que está por trás da suspensão chinesa?
Expectativa é de retomada das exportações para a China em 30 dias
Daumildo Júnior | Brasília | daumildo.junior@estadao.com | Atualizada às 21h
03/03/2025 - 20:34

O retorno das exportações de carne bovina para a China deve acontecer em 30 dias. Essa é a expectativa, segundo informou uma fonte ligada ao setor. Desde esta segunda-feira, 3, a importação de proteína bovina vindas de três plantas frigoríficas brasileiras estão suspensas.
“Isso é natural. Às vezes, tem auditorias e esses três frigoríficos tinham algumas pendências técnicas e foram suspensas até que regularizem essas questões. Mas não afeta nada os demais que já estão habilitados”, disse à reportagem.
Cada unidade tem sua própria lista de pendências que levou à suspensão. Entre os problemas detectados pelo governo chinês, está a presença de vestígios de carrapaticida em um lote de produtos exportados por uma das empresas. Neste caso, o teste foi feito já no porto chinês, pelas equipes aduaneiras.
No entanto, há outras questões entendidas pelo setor como “resolvíveis”. Um dos problemas foi a troca de rótulos de um container de carne. O carregamento era de um tipo de corte, mas as averiguações demonstraram que se tratava de outro tipo de peça. Uso de facas não indicadas e uma área que deveria estar separada do fluxo de processamento de carne também foram apontados pelos chineses.
Questões técnicas
A avaliação do setor é de que “são questões muito técnicas” e apresentam um certo “exagero” por parte da China. No entanto, a intenção não é ir para um embate com o país asiático e sim fazer as adequações o mais breve possível.
Após a comunicação da suspensão ao governo brasileiro, os próximos passos envolvem tradução e entendimento das adequações pedidas pela China. Isso deve ser feito pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que, após essa etapa, notifica as empresas com suas respectivas pendências. Então, os frigoríficos fazem as correções necessárias e comunicam ao Mapa a conclusão das adequações. Depois, o Mapa informa às autoridades chinesas e, dependendo da situação, pede uma nova auditoria na planta suspensa. Estando em conformidade, o país asiático autoriza as importações.
A lista dos frigoríficos brasileiros suspensos abrange uma unidade da JBS em Mozarlândia (GO), uma da Frisa em Nanuque (MG) e uma da Bon-Mart em Presidente Prudente (SP). A JBS afirmou que o assunto está sendo tratado pela Associação Brasileira de Proteína Animal (Abiec). Em nota, a associação informou que está trabalhando com o Mapa para uma “rápida resolução”.
As outras duas empresas foram procuradas pela reportagem mas não retornaram até o momento da publicação. O Agro Estadão também pediu uma posição do Mapa, mas não teve resposta.
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