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Economia

Exportações de café caem em julho, mas receita é recorde apesar de tarifaço dos EUA

Brasil embarcou 2,7 milhões de sacas no primeiro mês da safra 2025/26; arrecadação cresceu 10,4%, ultrapassando US$ 1 bilhão

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Redação AgroEstadão

12/08/2025 - 18:13

Foto: Adobe Stock
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O Brasil embarcou 2,733 milhões de sacas de 60 kg de café em julho, primeiro mês do ano safra 2025/26, arrecadando US$ 1,033 bilhão. O volume representa uma queda de 27,6% na comparação com o mesmo período de 2024. No entanto, a receita cambial é recorde, com crescimento de 10,4% no comparativo anual. As informações foram divulgadas nesta terça-feira, 12, pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). 

De acordo com o relatório mensal, no acumulado dos sete primeiros meses de 2025, a exportação de café brasileiro teve recuo no volume de 21,4% na comparação com o mesmo período do ano passado (28,182 milhões de sacas), com 22,150 milhões de sacas embarcadas. A receita cambial, porém, cresceu 36% ante o obtido entre janeiro e o fim de julho de 2024, alcançando outro recorde: US$ 8,555 bilhões.

CONTEÚDO PATROCINADO

Segundo o presidente do Cecafé, os valores arrecadados são reflexo dos elevados preços registrados no mercado internacional, que refletem o apertado equilíbrio entre oferta e demanda “ou mesmo um leve déficit na disponibilidade”, afirmou. Já em relação à queda no volume, ele explica que “uma redução nos embarques já era aguardada neste ano, uma vez que nós vimos de exportações recordes em 2024. Estamos com estoques reduzidos e uma safra sem excedentes, com o potencial produtivo total impactado pelo clima”.

Exportações de café – comparativo para o mês de julho (Fonte: Cecafé)

EUA, Europa e Japão foram os principais destinos 

Os Estados Unidos seguem como o maior comprador dos cafés do Brasil no acumulado dos sete primeiros meses de 2025, com a importação de 3,713 milhões de sacas, o que corresponde a 16,8% dos embarques totais e, apesar de apresentar declínio de 17,9% na comparação com o adquirido entre janeiro e julho de 2024, esse volume fica acima dos 16% de representatividade aferidos no mesmo intervalo do ano passado.

Na sequência, aparecem Alemanha, com 2,656 milhões de sacas importadas e queda de 34,1% em relação aos sete primeiros meses de 2024; Itália, com 1,733 milhão de sacas (-21,9%); Japão, com 1,459 milhão de sacas (+11,5%); e Bélgica, com 1,374 milhão de sacas (-49,4%). Confira os 10 principais destinos do café brasileiro no período:

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1. Estados Unidos – 3.713.307 sacas (−17,86%);

2. Alemanha – 2.656.498 sacas (−34,10%);

3. Itália – 1.733.159 sacas (−21,88%);

4. Japão – 1.458.552 sacas (+11,54%);

5. Bélgica – 1.374.247 sacas (−49,36%);

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6. Países Baixos (Holanda) – 815.237 sacas (−9,17%);

7. Turquia – 770.643 sacas (+1,49%);

8. Rússia – 732.293 sacas (+22,47%);

9. Espanha – 725.438 sacas (−22,14%);

10. Coreia do Sul – 600.524 sacas (−6,35%).

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Arábica foi o mais exportado 

Nos primeiros sete meses de 2025, o café arábica foi a espécie mais exportada pelo Brasil, com o envio de 17,940 milhões de sacas ao exterior. Esse montante equivale a 81% do total, ainda que implique queda de 13,3% frente a idêntico intervalo antecedente.

O segmento do café solúvel veio na sequência, com embarques equivalentes a 2,229 milhões de sacas (10,1% do total), seguido pela espécie canéfora (conilon + robusta), com 1,949 milhão de sacas (8,8%), e pelo setor industrial de café torrado e torrado e moído, com 31.755 sacas (0,1%).

Exportações de café – comparativo de janeiro a julho (Fonte: Cecafé)

Cafés especiais

De acordo com o Cecafé, os produtos com certificados de práticas sustentáveis ou qualidade superior responderam por 21,5% das exportações totais brasileiras entre janeiro e julho de 2025, com a remessa de 4,759 milhões de sacas ao exterior. O volume é 8,8% inferior ao aferido no acumulado dos primeiros sete meses do ano passado.

A um preço médio de US$ 425,78 por saca, a receita cambial com os embarques do produto diferenciado foi de US$ 2,026 bilhões, o que correspondeu a 23,7% do total obtido com todos os embarques de janeiro a julho deste ano. Na comparação com o mesmo intervalo de 2024, o valor é 57,8% maior.

Os EUA lideraram o ranking dos principais destinos dos cafés diferenciados, com a compra de 871.972 sacas, o equivalente a 18,3% do total desse tipo de produto exportado. Fechando o top 5, aparecem Alemanha, com 606.122 sacas e representatividade de 12,7%; Bélgica, com 533.023 sacas (11,2%); Holanda (Países Baixos), com 366.536 sacas (7,7%); e Itália, com 292.795 sacas (6,2%).

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Incerteza para os resultados de agosto 

Ferreira projeta que o resultado de agosto seja diferente, em razão do tarifaço imposto pelo governo norte-americano, cuja vigência iniciou no último dia 06. “As indústrias americanas estão em compasso de espera, pois possuem estoque por 30 a 60 dias, o que gera algum fôlego para aguardarem um pouco mais as negociações em andamento. Porém, o que já visualizamos são eventuais pedidos de prorrogação, que são extremamente prejudiciais ao setor”, comenta Ferreira.

De acordo com o gestor, quando o exportador realiza o negócio, ele fecha o Adiantamento sobre Contrato de Câmbio (ACC) — financiamento, pré-embarque, que permite que as empresas obtenham recursos antecipados com base em um contrato de câmbio — e tem um tempo para cumprir esse compromisso. “Com a prorrogação dos negócios, o ACC não é cumprido e passamos a sofrer com mais juros, com taxas altas, e custos adicionais, com overhead, por exemplo”, cita.

Ferreira defende que o prejuízo deve ficar ainda maior quando se analisa a estrutura do mercado internacional, que, há algum tempo, se apresenta como o chamado “mercado invertido”, com os contratos futuros mais distantes depreciados em relação aos mais próximos.

“O vencimento dezembro de 2026 na Bolsa de Nova York, por exemplo, está com deságio de 9% a 10% frente ao dez/25. Já esse dez/25 possui depreciação de cerca de US$ 10 por saca ante o set/25. Ou seja, a prorrogação de um embarque de agosto, tendo como referência o set/25, para os próximos meses, que terão como base o dez/25, geraria uma perda adicional de US$ 10 por saca, além do impacto dos juros do ACC e dos custos adicionais com carrego, armazenagem e logística. Portanto, prorrogar embarques, além de atrasar divisas e compromissos, tem esse impacto negativo acumulado e acentuado”, analisa.

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