Agropolítica
Agricultores familiares fazem ato por medidas contra crise no campo
Mobilização em frente a prédios de ministérios, em Porto Alegre, cobra do governo federal ações para aliviar dívidas e valorizar produção
Mônica Rossi | Porto Alegre | monica.rossi@estadao.com
10/12/2025 - 18:25

Mais de 2 mil pessoas participaram de uma mobilização que ocupou a frente do prédio do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) nesta quarta-feira, 10, em Porto Alegre.
Os trabalhadores da agricultura e da pecuária familiar do Rio Grande do Sul tinham o objetivo de pressionar o governo federal por avanços concretos para solução dos principais problemas do setor em 2025. Entre as pautas de reivindicação, estavam maior valorização dos preços pagos aos produtores, expansão e maior eficiência do seguro rural e ações efetivas para combater o endividamento no campo.
Para a Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS), as medidas anunciadas pelo governo federal são insuficientes para atender às necessidades dos agricultores e pecuaristas familiares, sobretudo nos setores do leite, trigo e arroz. A federação afirma que as ações anunciadas como solução para as dívidas rurais também não proporcionaram o alívio necessário às famílias produtoras gaúchas.
Reunião e resoluções

Os representantes dos agricultores foram recebidos pelo superintendente do Ministério da Agricultura no Rio Grande do Sul (Mapa/RS), José Cleber Souza, no final da manhã. Também participaram da reunião o superintendente adjunto do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Vinícius Pasquotto, e o superintendente da Conab, Glauto Melo.
O Ministério da Agricultura informou, por meio de nota, que, além das medidas já adotadas, especialmente no que se refere às renegociação das dívidas, o principal encaminhamento desta reunião de hoje será a publicação de portarias interministeriais a fim de viabilizar leilões de compra para o trigo e o arroz, a demanda de recursos para AGF de leite e a subvenção ao prêmio do seguro rural.
Sinalizou ainda que, em 2024, foi disponibilizado R$ 1 bilhão para Contrato de Opção de Venda (COV) de arroz, aos quais se somam os R$ 200 milhões para Aquisição do Governo Federal (AGF) e R$ 100 milhões para Prêmio para Escoamento de Produto (PEP) e Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro), totalizando R$ 1,3 bilhão. Confirmou, também, que estão aprovados R$ 67 milhões para PEP e Pepro de trigo e que está em negociação a liberação de R$ 100 milhões para o leite.
“Estamos no momento de definição da alocação do recurso para viabilizar a contrapartida do governo na contratação do recurso”, disse o superintendente do Mapa/RS sobre o seguro rural.
Na parte da tarde, a manifestação seguiu até a Praça da Matriz, onde fica a sede do governo estadual, e a Assembleia Legislativa, para uma reunião com o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Ao Agro Estadão, o presidente da Fetag-RS, Carlos Joel da Silva, afirmou que o governador subiu no carro de som e se comprometeu com o programa Forrageiras, em alocar recursos para a juventude rural e com a subvenções para os produtores de leite, além de apoiar o setor junto ao governo federal para destravar as renegociações de dívidas.
“Saímos com esses encaminhamentos. Agora, tem até dezembro para resolver o endividamento, as questões das compras emergenciais e também a situação do leite. Se não resolver — especialmente a do leite —, em janeiro estamos organizando, com outros estados, uma manifestação em Brasília, em frente ao Palácio do Planalto”, disse o líder da Fetag.
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