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Economia

Descarte de cebola em Santa Catarina chama atenção para crise no setor

Colapso no valor de mercado do produto preocupa agricultores e motiva situação de emergência na Capital da Cebola

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Mônica Rossi | Porto Alegre | monica.rossi@estadao.com

12/02/2026 - 14:56

Cebolas foram descartadas à beira de uma rodovia em Aurora (SC). Foto: Estefani Klettenberg/Rádio Sintonia
Cebolas foram descartadas à beira de uma rodovia em Aurora (SC). Foto: Estefani Klettenberg/Rádio Sintonia

Grandes montes de cebolas foram descartados à beira de uma rodovia em Aurora (SC) no início desta semana. O ato foi visto como consequência da crise enfrentada pelos produtores. O preço atual do produto está abaixo do custo de produção, inviabilizando a comercialização.

“Se fosse um ano normal, com os preços mais altos, aquela cebola ali acabaria indo aos supermercados e iria para o consumo. Mas, como a gente tem um excesso de produção, essa cebola, por qualquer probleminha, é descartada”, explica Jorge Luiz Sardo, presidente da Associação dos Produtores de Cebola de Santa Catarina (Aprocesc).

CONTEÚDO PATROCINADO

Aurora é uma das principais áreas produtoras da região. Fica localizada a cerca de 14 quilômetros de Ituporanga, município conhecido nacionalmente como a “Terra da Cebola”. Segundo informações da Rádio Sintonia FM, o proprietário do terreno onde o material foi deixado autorizou o descarte e informou que as cebolas foram reaproveitadas como adubo.

“A situação dos nossos agricultores aqui é crítica. Nesses preços que estão vendendo aí, eles não conseguem pagar nem a metade do custeio da cebola, do que investiram, né?”, explica Sardo.

Situação de emergência

O episódio de descarte ocorreu poucos dias após a Prefeitura de Ituporanga (SC) decretar situação de emergência econômica na cadeia produtiva da cebola. A medida foi motivada pela forte desvalorização do produto, que tem gerado prejuízos, comprometido a renda das famílias rurais e afetado diretamente a economia local.

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A produção de cebola é essencial para a economia do município, representando 25% da arrecadação. Segundo a prefeitura, a safra atual é a maior já registrada, o que vem gerando desafios com o escoamento e a comercialização.

Com o decreto, a administração municipal está autorizada a adotar medidas excepcionais, como a priorização de políticas públicas voltadas ao setor, ampliação de programas de apoio à produção, renegociação de dívidas e articulação com governos e instituições financeiras. O reconhecimento da situação emergencial também permitirá solicitar apoio técnico e financeiro, além de subsidiar novos programas de mitigação dos impactos econômicos e sociais.

Geison Kurtz, prefeito de Ituporanga, informou que está buscando medidas de apoio aos agricultores junto aos governos estadual e federal. “Tivemos uma reunião com o secretário de Agricultura do Estado hoje de manhã e estamos tentando marcar uma agenda em Brasília, com o ministro da Agricultura. Queremos fazer com que a maioria dos agricultores renegocie as contas desta safra para não ter que pagar agora, que geralmente é paga em março. Estamos tentando que o produtor possa refinanciar e, automaticamente, ter crédito para pensar numa próxima safra”, relata o prefeito, que garante que no município não houve descarte do produto. Além de Ituporanga, outras seis cidades do Alto Vale do Itajaí também decretaram situação de emergência devido à crise na cebola.

Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em 6 de fevereiro “a rentabilidade do produto em janeiro foi negativa, com prejuízo estimado em R$ 0,64/kg para o bulbo na roça”. O relatório indica também que, em Ituporanga, as cebolas já começam a apresentar problemas de qualidade, com carvão/mofo preto, “principalmente os produtos que estão há mais tempo nos galpões”.

O representante da Aprocesc afirma que a cebola produzida em Santa Catarina é de ótima qualidade. “Temos cebola para vender, para aguentar até junho. Estamos com uma alta produção, mas o que a gente tem orientado os nossos agricultores é que façam a venda escalonada, para não estarem ofertando cebola a todo mundo na mesma hora. Para que possam, daqui a pouco, pegar um preço melhor”, relata.

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