Agropolítica
Fim da jornada 6x1 pode criar vácuo operacional no agro com impacto bilionário, aponta FAEP
Só no Paraná serão necessários 107 mil novos trabalhadores para manter o ritmo de produção; avicultura, suinocultura e laticínios estão entre os mais impactados
Redação Agro Estadão
23/02/2026 - 16:58

A redução da jornada 6×1 deve dominar o debate em Brasília a partir desta semana. A proposta de implementar dois dias de descanso por semana, reduzindo gradualmente a carga horária de 44 para 36 horas semanais, sem redução de salário, é vista com preocupação por diversos setores, inclusive o agronegócio.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) calcula que a redução da jornada semanal pode elevar em 7% a folha de pagamento das empresas, com um acréscimo de custo entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões por ano, seja pela realização de horas extras ou pela contratação de novos trabalhadores.
O levantamento aponta ainda que, de um total de 32 setores analisados, 21 vão apresentar elevação nos custos acima da média, caso a proposta venha a ser aprovada. Entre os setores analisados, está a agropecuária, com impactos econômicos que podem variar entre 7,7% e 13,5%, aponta a CNI.
Impactos no Paraná
Outro estudo, desta vez voltado à atividade rural no Paraná, sinaliza que será necessário um incremento de R$ 4,1 bilhões por ano na atividade do Estado para suprir o “vácuo operacional” que o fim da jornada 6×1 pode deixar no setor. Segundo o levantamento, serão necessárias 107 mil novas contratações no Paraná para manter o atual nível de produção agropecuária.
A estimativa é do Departamento Técnico e Econômico da Federação da Agricultura do Paraná (FAEP), que considera que hoje exista uma base de 645 mil postos de trabalho no agro paranaense e uma massa salarial anual estimada em R$ 24,8 bilhões, incluindo salários e encargos obrigatórios.
“Um aumento dessa magnitude na folha de pagamento traz insegurança e dificulta o planejamento das atividades no meio rural”, afirma o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, que também prevê “inflação e até mesmo elevação da informalidade e da precarização das relações de trabalho”.
Por cadeia produtiva
O estudo da FAEP também avaliou o impacto por cadeia produtiva. A avicultura e a suinocultura seriam as mais atingidas. O custo adicional é estimado em R$ 1,72 bilhão por ano, por conta do manejo contínuo dos animais nas granjas e das escalas ininterruptas das plantas frigoríficas.
O mesmo acontece no setor de laticínios, que tem no leite um produto altamente perecível, que exige coleta diária e processamento imediato nas indústrias. Nesta cadeia, o custo adicional pode chegar a R$ 570 milhões por ano.
Já na produção de grãos, como soja, milho e trigo, a despesa adicional pode ser de R$ 900 milhões anuais, especialmente por conta dos períodos de pico de safra, quando armazéns e estruturas operam praticamente sem interrupção para evitar perdas.
Nas cadeias de cana, café, fumo e hortifrúti, que possuem janelas curtas de colheita, o impacto estimado é de R$ 910 milhões anuais para manter o ritmo produtivo.
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