Economia
Reforma tributária: o que o produtor rural precisa fazer antes de janeiro?
Entenda os ajustes imediatos necessários para evitar problemas com notas fiscais e créditos tributários em 2026
Sabrina Nascimento | São Paulo | sabrina.nascimento@estadao.com
16/12/2025 - 05:00

Em 1º de janeiro de 2026, além de um novo início de ano, os brasileiros também começarão a conviver com as novas obrigações da reforma tributária. As mudanças irão atingir diretamente o agronegócio, além dos demais setores da economia.
Mesmo que a cobrança efetiva dos novos tributos ainda passe por fases, o produtor rural precisa agir agora para evitar problemas na emissão de notas fiscais, perda de crédito tributário e impactos na comercialização da produção.
Segundo Renato Conchon, coordenador do Núcleo Econômico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), informação e planejamento são decisivos para uma transição segura. “A compreensão antecipada das mudanças é fundamental para que o produtor não seja pego de surpresa”, alertou em evento realizado pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo e CNA.
O que muda a partir de janeiro?
Em um primeiro momento, a reforma tributária não altera os atuais tributos — ICMS, ISS, IPI, PIS e Cofins. O que passa a existir é a fase de testes do novo sistema tributário, com dois tributos que, no futuro, irão substituir os impostos sobre o consumo:
- CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) – tributo federal;
- IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) – tributo estadual e municipal.
Esses dois impostos formam o chamado IVA (Imposto sobre Valor Agregado), modelo já adotado na maioria dos países. Em vez de impostos cobrados de forma cumulativa — ou seja, um imposto sobre o outro, embutido no custo —, o novo sistema prevê a não cumulatividade plena. Na prática, isso significa que o imposto pago na compra de insumos vira crédito e esse crédito pode ser compensado ou devolvido.
Em 2026, que será o primeiro ano de transição para as novas normas, esses tributos terão alíquotas simbólicas de teste (1%), apenas para simulação e ajustes do sistema. Assim, não haverá pagamento, apenas destaque na nota fiscal.
Ajuste da nota fiscal
Falando em nota fiscal, esse é um ponto apontado como urgente pelos especialistas, já que, a partir de janeiro, os comprovantes precisarão ter os campos de CBS e IBS, mesmo com alíquota de teste.
Segundo o coordenador do Núcleo Econômico da CNA, notas emitidas fora do padrão podem gerar problemas operacionais, mesmo que não sejam rejeitadas automaticamente no início. “Mesmo sendo teste, o produtor precisa se adequar”, reforça Conchon.
O que fazer na prática?
- Grande produtor — opera com um sistema próprio: entre em contato com a empresa fornecedora do seu sistema de software e solicite a atualização do sistema de emissão de notas fiscais;
- Médio produtor — opera via contador: procure o seu contador e confirme se o sistema contábil dele já está adaptado;
- Pequeno produtor — opera nota fiscal fácil ou avulsa: a responsabilidade de atualização é da Secretaria da Fazenda. Mesmo assim, você deve confirmar se o sistema do seu Estado já está atualizado.
Conchon orienta os produtores a se adequarem ao novo modelo até 31 de dezembro. “Sem esses ajustes, os produtores não conseguirão emitir vendas a partir do próximo ano. É necessário se preparar para esse novo regime tributário para evitar problemas”, explica.
Para auxiliar o produtor e o contador no planejamento tributário, a CNA lançou uma calculadora da Reforma Tributária. A ferramenta permite simular o cálculo da CBS e do IBS, e pode ser acessada aqui.
Newsletter
Acorde
bem informado
com as
notícias do campo
Mais lidas de Economia
1
Em investigação, China aponta 'dano grave' à indústria de carne bovina e notifica OMC e exportadores
2
Fim do papel: produtores rurais terão de emitir nota fiscal eletrônica em 2026
3
Feiras do agro 2026: calendário dos principais eventos do setor
4
Começa a valer obrigatoriedade de emissão de nota fiscal eletrônica
5
Salvaguarda à carne bovina: Câmara Brasil-China vê desfecho favorável ao setor brasileiro
6
Menos pão, mais carne: canetas emagrecedoras redesenham demandas do agro brasileiro
PUBLICIDADE
Notícias Relacionadas
Economia
UE diz estar pronta para implementar acordo provisório com Mercosul
Declaração foi feita ao fim da cúpula da UE em Bruxelas, após líderes nacionais levantarem o tema em debates sobre rumos e decisões do bloco
Economia
Peru habilita primeiras unidades brasileiras para exportar farinhas bovinas
Mercado aberto em 2024 tem primeiras habilitações, permitindo os embarques de farinha de carne e ossos e hemoderivados.
Economia
Aprosoja MT: piso mínimo do frete amplia custo e compromete competitividade
Para a entidade, atual metodologia tem inconsistências estruturais relevantes e desconsidera a dinâmica real do mercado
Economia
São Paulo firma parceria com fundo sueco para expandir cadeia do biometano
Projeto prevê R$ 5 milhões para estudos de expansão da produção de biometano e e aproveitamento de resíduos do setor sucroenergético
Economia
Turquia lidera compras de gado em pé do Brasil e impulsiona recorde histórico
As exportações brasileiras avançaram quase 5% em 2025 e atingiram novo patamar histórico, superando 1 milhão de cabeças
Economia
CNA: liberalização tarifária não garante acesso efetivo ao mercado europeu
Confederação lembra que entrada de produtos no agro na Europa depende de exigências regulatórias, como o EUDR e salvaguardas
Economia
Soja: Abiove projeta processamento recorde em 2026, de 61 milhões de toneladas
A produção de farelo de soja foi revista para 47 milhões de toneladas e óleo de soja avançou para 12,25 milhões de toneladas
Economia
Grupo Piracanjuba entra no mercado de queijos finos com aquisição da Básel (MG)
Com a operação, a Piracanjuba, que é de Goiás, passa a contar com dez unidades industriais em funcionamento no Brasil