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Economia

Caminhoneiros ameaçam greve nacional 

Abrava alinha paralisação até fim de semana com diesel a R$ 6,90; alta pressiona custos no pico do escoamento

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Broadcast Agro

18/03/2026 - 09:11

Foto: Adobe Stock
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A possibilidade de uma greve nacional de caminhoneiros ganhou força nos últimos dias e pode se concretizar até o fim desta semana, segundo o presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, o Chorão. A declaração marca uma mudança recente de tom do dirigente, em meio à rápida deterioração do cenário de custos do transporte rodoviário. “Pode acontecer até o fim de semana”, disse à Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

A mobilização avançou após assembleia realizada na segunda-feira (16), no Porto de Santos (SP), que deliberou pela paralisação e reuniu lideranças de várias regiões do País. Desde então, a Abrava passou a articular com entidades estaduais para ampliar a adesão e alinhar uma eventual data única. “A gente tá conversando com as outras lideranças dos outros Estados, pra alinhar todo mundo certinho”, afirmou Chorão.

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O pano de fundo do movimento é a escalada dos preços do diesel, que se intensificou desde o fim de fevereiro com a alta do petróleo no mercado internacional em meio ao conflito no Oriente Médio. O aumento do combustível tem pressionado diretamente os custos do transporte, especialmente em um momento de pico do escoamento da safra. “O transportador autônomo está pagando pra trabalhar, na realidade”, disse o dirigente.

Dados de mercado mostram avanço relevante do diesel nas últimas semanas. Na primeira semana de março, o preço médio do S-10 subiu mais de 7%, segundo levantamento do setor, e continuou avançando ao longo do mês, levando o combustível a patamares próximos de R$ 6,90 por litro em média nacional, conforme dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O movimento ocorre em um ambiente de forte volatilidade internacional, com o petróleo acima de US$ 100 o barril.

A tentativa do governo federal de conter a alta, por meio de pacote anunciado em 12 de março, com redução de tributos e subvenção ao diesel, teve efeito limitado após o reajuste promovido pela Petrobras no dia seguinte. Mesmo com o aumento de 11,6% nas refinarias, a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) aponta que o preço ainda permanece abaixo do mercado internacional, indicando risco de novas pressões.

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No frete, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) atualizou na sexta-feira (13) a tabela de pisos mínimos, com reajustes de até 7%, após a alta de mais de 13% no diesel acionar o gatilho previsto na Lei nº 13.703/2018. Para Chorão, no entanto, a medida tem alcance limitado sem fiscalização efetiva. “Esta semana saiu um gatilho dentro da lei 703, e até hoje não tem fiscalização, não tem pessoal cumprindo”, afirmou.

Além da recomposição do frete, a categoria mantém demandas estruturais, como a implementação do travamento eletrônico da planilha de custo mínimo operacional e a isenção de pedágio para caminhões vazios. “Numa situação de crise, a isenção do pedágio é mais importante do que você ter tirar o PIS/Cofins incidentes sobre o diesel”, disse.

Apesar de manter diálogo com o governo, o dirigente cobra medidas concretas. A Casa Civil entrou em contato com lideranças nesta semana, mas, segundo ele, não houve avanço suficiente. “A gente precisa sair do diálogo de verdade e ir pra efetivação”, afirmou.

A estratégia inicial da categoria é evitar bloqueios de rodovias e priorizar a paralisação voluntária das atividades. “A ideia é conscientizar o transportador rodoviário pra que fique em casa, não carregue”, disse Chorão. Ele não descarta, porém, a possibilidade de uma mudança de postura caso não haja resposta às reivindicações. “Se for colocada a data, aqueles que quiserem andar vão ficar em cima da rodovia.”

CNTTL diz que vai esperar reunião para se manifestar sobre greve

Pouco depois de se manifestar contra a greve dos caminhoneiros autônomos de Santos (SP) e anunciar o agendamento de uma reunião com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte e Logística (CNTTL) voltou atrás e informou, no fim da noite desta terça-feira, 17, que vai aguardar a realização de um encontro de lideranças da categoria para tomar uma posição sobre a mobilização.

“Em função da dinâmica do movimento paredista articulado pelos caminhoneiros autônomos, que ganhou repercussão midiática, lideranças da categoria irão se reunir com caminhoneiros de todos os portos do país nesta quarta-feira, dia 18, em Santos”, informou o presidente da entidade, Paulo João Estausia, em comunicado. “Diante desse cenário, a CNTTL pede que desconsidere a nota anterior porque irá aguardar o resultado dessa reunião coletiva dos caminhoneiros autônomos.”

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