Agropolítica
CNA pede ao governo elevação da mistura de biodiesel no diesel
Confederação propõe avanço para 17% para conter efeitos da alta do petróleo e reduzir dependência externa
Redação Agro Estadão | Atualizada às 10h38
09/03/2026 - 09:27

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) defendeu, na sexta-feira (6), o aumento imediato da mistura obrigatória de biodiesel ao óleo diesel comercializado no país, passando dos atuais 15% para 17% (B17). O pedido foi encaminhado ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, em meio à escalada recente nos preços internacionais do petróleo provocada por novos conflitos no Oriente Médio.
Segundo dados apresentados pela entidade, o barril do petróleo tipo Brent subiu para US$ 84, uma alta de até 20% desde o fim de fevereiro. A CNA lembrou que, em crises anteriores — como a eclosão da guerra entre Rússia e Ucrânia, em 2022 —, o preço do diesel chegou a disparar nas distribuidoras e nos postos, com aumentos médios de 21% e 23%, respectivamente.
“O avanço da mistura de biodiesel representa uma medida importante e sustentável para ampliar a oferta de combustível no mercado doméstico, reduzir pressões sobre os custos logísticos e fortalecer a segurança energética nacional”, afirmou o presidente da CNA, João Martins, em nota enviada ao ministério.
A solicitação ocorre também após o adiamento da implementação do B16, percentual de 16% na mistura do biodiesel, previsto originalmente para 1º de março, mas ainda não efetivado. Para a CNA, o atraso reduz a capacidade de o país reagir a oscilações externas e aumenta a dependência do diesel fóssil.
“Para tentar minimizar esse impacto da alta do custo do diesel, que não impacta só o agro-brasileiro, mas toda a logística do país, aquilo que é feito por caminhões. A ideia é a gente aumentar esse percentual do biodiesel no diesel, porque nesse momento nós temos uma safra recorde sendo colhida de soja, com preços relativamente baixos comparado aos preços do ano anterior”, explica Bruno Lucchi, diretor-técnico da CNA.
Com a safra de soja no auge e ampla oferta para as indústrias de esmagamento, a CNA argumenta que o biodiesel tem condições de atender à demanda interna com competitividade. “O biodiesel torna-se uma alternativa com preço competitivo e com potencial de frear eventuais escaladas de preços para os usuários do transporte no País, incluindo o agronegócio”, diz a nota.
Lucchi aponta que a pressão sobre os preços tende a se intensificar, já que a logística impacta toda a cadeia produtiva e pode provocaravanço da inflação. “Porque não é só o preço do diesel que está aumentando para o transporte logístico brasileiro, mas tudo que a gente importa hoje vai ter incremento da logística internacional. Não só pelo preço dos combustíveis, mas questão de frete, de contêiner, que tem aumentado muito em função do conflito. E isso afeta o mundo inteiro, não só a região ali do Oriente Médio. Então, acho que tem medidas que podem ser antecipadas visando minimizar essa inflação. Então, isso passou a uma motivação externa para você reavaliar esse percentual do biodiesel no diesel”, avalia o diretor-técnico da CNA.
Falta de diesel já atrasa colheita no RS
No Rio Grande do Sul, produtores relatam falta de diesel nas últimas 48 horas, atrasando a colheita de soja e arroz da safra de verão, segundo nota da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Frasul) deste sábado, 07. A entidade e a Federarroz afirmam que com aumento superior a R$ 1,20 por litro no combustível, lavouras acabam expostas a intempéries, pressionando a rentabilidade. Refinarias estariam suspendendo a distribuição sem aviso. Domingos Velho Lopes, presidente do Sistema Farsul, afirmou no comunicado que estuda medidas jurídicas e que o governo federal foi acionado para normalizar o abastecimento.
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