Economia
Após relatos de falta de diesel no RS, ANP diz que estoques estão garantidos
As dificuldades relatadas por produtores ocorrem diante da atenção redobrada nos mercados globais de energia com a escalada da guerra no Oriente Médio
Redação Agro Estadão
09/03/2026 - 11:36

Relatos de dificuldade na compra de diesel por produtores rurais no Rio Grande do Sul levaram a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a intensificar o monitoramento do abastecimento do combustível no Estado. Segundo a agência reguladora, apesar dos relatos, não há risco de desabastecimento no momento.
“Ao longo deste fim de semana (7 e 8/3), a Agência entrou em contato com os principais fornecedores da região e apurou que o estado do Rio Grande do Sul conta com estoques suficientes para assegurar o abastecimento regular de diesel”, informou o comunicado. De acordo com a agência, a produção e a entrega de diesel seguem em ritmo normal pelo principal polo de refino do estado, a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap).
O comunicado ainda reforçou que, o Rio Grande do Sul produz mais diesel do que consome e mantém níveis regulares de estoque. Técnicos da ANP também não identificaram, até o momento, justificativas técnicas ou operacionais que expliquem eventuais recusas de fornecimento relatadas por produtores rurais.
Nesse contexto, a ANP informou que, as distribuidoras serão formalmente notificadas para que prestem os devidos esclarecimentos sobre a volume em estoque, os pedidos recebidos e os pedidos efetivamente aceitos. “Caso seja necessário, a Agência está preparada para adotar todas as medidas cabíveis a fim de assegurar a continuidade e a normalidade da oferta de diesel no país”, diz a nota.
A ANP também alertou que eventuais aumentos de preços considerados injustificados poderão ser investigados em conjunto com órgãos de defesa do consumidor.
Escala da Guerra no Oriente Médio
As dificuldades relatadas por produtores ocorrem em um momento de atenção do mercado global de energia com a escalada da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã no Oriente Médio.
Nesta segunda-feira, 09, os contratos futuros do petróleo Brent com vencimento em maio/26 dispararam 8%, atingindo US$ 100,12 o barril, enquanto o petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, subiu 7,7%, para US$ 97,78 o barril. O avanço ocorre em meio a temores de interrupções no fornecimento e riscos para a navegação pelo Estreito de Ormuz – rota fundamental para o comércio global de petróleo.
A complexidade do cenário leva o sócio da Markestrat Group, José Carlos de Lima JR, a avaliar que o mundo pode estar diante do maior choque de oferta de petróleo da história, algo que, segundo ele, “inevitavelmente se traduzirá em destruição de riqueza e inflação”.
“Os mercados já recorrem aos próprios estoques. Ainda assim, a disparada do petróleo e de seus derivados tende a elevar os custos industriais com energia, alimentos e transporte”, destaca Lima. Ele ressalta ainda que, navios que foram projetados para estar em movimento poderão acabar parados, à espera de rotas seguras ou de portos disponíveis.
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