Inovação
Aplicativo simula espalhamento de febre aftosa no RS
Análises fornecem subsídios para Serviço de Vigilância decidir o protocolo mais adequado para contenção viral
Paloma Custódio | Brasília
20/12/2024 - 10:51

Um aplicativo utilizado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul (Seapi) é capaz de fazer simulações de espalhamento da febre aftosa no estado. A ferramenta é uma integração da Plataforma de Defesa Sanitária Animal do Rio Grande do Sul com o MHASpead, um programa desenvolvido pela Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos.
Ao Agro Estadão, o diretor-adjunto do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA) da Seapi, Francisco Lopes, explicou que o aplicativo pode simular matematicamente diferentes protocolos de contenção do vírus da febre aftosa, como depopulação, vacinação, rastreabilidade e restrição de movimento, diante de variados cenários epidemiológicos. Com as análises, é possível avaliar qual seria o protocolo mais adequado para a contenção viral.
“O aplicativo pode ser rodado informando a propriedade específica para prever como seria o espalhamento [nessa localidade]. A partir daí, podemos modular os níveis de cerceamento do foco que vamos adotar. Por exemplo, quais propriedades devemos depopular; se devemos iniciar uma vacinação de contenção de foco ou não; qual é a necessidade de depopulação de propriedades por dia para conseguir debelar o foco e outras ações. Isso tudo pode rodar em poucas horas”, explica Francisco Lopes.
O MHASpread utiliza métodos de transmissão multiespécies, envolvendo bovinos, suínos e pequenos ruminantes, para prever a transmissão da febre aftosa, tanto por contato direto entre os animais quanto por disseminação pelo ar.
“[O sistema] resulta em mais segurança para o produtor. Os dados gerados podem demonstrar quais seriam as necessidades de ação do Serviço Veterinário Oficial, além de avaliar a capacidade de ação (se seria suficiente ou não) e os custos envolvidos em materiais, equipamentos e mão de obra que um evento sanitário de febre aftosa demandaria”, detalha.
Aplicativo pode simular o espalhamento de outras doenças
Francisco Lopes afirma que a ferramenta foi construída para simular o espalhamento de outras doenças. “Os parâmetros serão ainda finamente levantados em pesquisas bibliográficas para a adaptação do modelo para outras doenças de interesse, como Influenza Aviária e Peste Suína Clássica e Africana”, explica.
De acordo com o diretor-adjunto do DDA, o sistema integra bases de dados internacionais de sanidade animal com informações reais de movimentação animal do Rio Grande do Sul, realizando uma análise conjunta desses dados. “Ele pode ser expandido para rodar em uma base interestadual da movimentação animal do país”, afirma.
O aplicativo não é uma ferramenta para uso aberto, sendo controlado apenas pelo Serviço Veterinário Oficial da Seapi. Ele também tem funcionalidade que permite estimar os custos em ações de contenção de um possível foco da doença.
Segundo Francisco Lopes, a vantagem da integração do MHASpread com a Plataforma de Defesa Sanitária Animal é que o primeiro “rodava em um sistema de base R, de forma offline, em computadores de alto desempenho. Agora, na Plataforma de Defesa Sanitária Animal do Rio Grande do Sul, ele roda com um sistema de programação mais leve, computacionalmente, o que permite rodar de forma online em qualquer equipamento computacional médio”.
O projeto pioneiro tem servido como modelo para outros estados e até outros países. Segundo a Seapi, ele já foi apresentado na Bolívia, no Chile e será divulgado na Colômbia e no Paraguai em 2025.
Siga o Agro Estadão no Google News e fique bem informado sobre as notícias do campo.
Newsletter
Acorde
bem informado
com as
notícias do campo
Mais lidas de Inovação
1
CONTEÚDO PATROCINADO
Manual do irrigante: conheça o guia para quem quer irrigar com precisão e produtividade
2
Ciência brasileira dá destino inovador às folhas do café
3
Pesquisa descobre fungo com ação superior a herbicidas como glifosato
4
Pesquisa quer transformar algas marinhas em atum vegetal; entenda
5
Baldan conclui primeira venda com criptomoedas e inaugura nova fase digital
6
Safra de soja 27/28 deve ter nova geração de semente com maior controle de daninhas e lagartas
PUBLICIDADE
Notícias Relacionadas
Inovação
Novo nematoide é descoberto em planta comum de Minas Gerais
Equipe brasileira identifica gênero inédito em folhas de corda-de-viola — trepadeiras comuns em áreas tropicais
Inovação
Embrapa terá primeira unidade internacional mista de pesquisa
Instalação terá duas sedes e previsão de funcionar pelos próximos cinco anos
Inovação
Sistema antigranizo: prefeitos do RS querem tecnologia para evitar perdas no agro
Após prejuízos milionários, cidades gaúchas se mobilizam para instalar tecnologia usada em Santa Catarina há décadas; veja como funciona
Inovação
Castanha-do-brasil vira farinha “turbinada” e rende proteína texturizada
Pesquisa revela que ingrediente amazônico pode substituir a farinha de trigo em produtos plant-based com boa aceitação do público
Inovação
Pesquisa quer transformar algas marinhas em atum vegetal; entenda
A economia ligada ao mar movimenta cerca de US$ 1,5 trilhão ao ano, com expectativa de dobrar até 2030, aponta a Embrapa
Inovação
Safra de soja 27/28 deve ter nova geração de semente com maior controle de daninhas e lagartas
Testes começam na próxima safra, mas ainda faltam autorizações nos países exportadores, o que empurra a comercialização para mais adiante
CONTEÚDO PATROCINADO
Manual do irrigante: conheça o guia para quem quer irrigar com precisão e produtividade
Desenvolvido pelos especialistas da Netafim, o manual reúne fundamentos essenciais no processo de se tornar um irrigante no Brasil
Inovação
CB Bioenergia recebe licença para operar usina de etanol de trigo no RS
Com 150 mil metros quadrados, usina tem capacidade produtiva mensal de mais de 1,3 milhão de litros de etanol hidratado e 1,14 milhão de álcool neutro