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Economia

Reforma tributária provoca salto no número de empresas do agro no Simples Nacional

Empresas do agro no Simples Nacional sobem 7,1%, sinalizando mais profissionalização e formalização entre pequenos produtores, diz o IBPT

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Sabrina Nascimento | São Paulo | sabrina.nascimento@estadao.com

26/11/2025 - 05:00

Carlos Pinto, diretor de negócios do IBPT: pequenos empreendimentos do agro estão se profissionalizando. Foto: Pedro Peres/Divulgação
Carlos Pinto, diretor de negócios do IBPT: pequenos empreendimentos do agro estão se profissionalizando. Foto: Pedro Peres/Divulgação

A base de pequenos empreendedores do agronegócio tem passado por uma mudança nos últimos anos. Um levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) revela que o número de empresas do setor enquadradas no Simples Nacional — regime tributário simplificado para micro e pequenas empresas — saltou de 395 mil no primeiro semestre de 2024 para 423 mil considerando o mesmo intervalo de 2025. O avanço representa um crescimento de 7,1%. 

A nova onda de abertura de empresas no campo coincide com um momento de transição regulatória: a reforma tributária. O novo regime entra em transição em janeiro de 2026 e estabelece mudanças nos sistemas de emissão de nota fiscal. 

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Na visão do diretor de negócios do IBPT, Carlos Pinto, esse gatilho tem levado pequenos produtores a migrar para estruturas empresariais, buscando adequação, competitividade e segurança jurídica. “No momento em que aumenta a constituição de empresas, isso automaticamente demonstra uma ocupação maior e mais estruturada do setor. E os dados mostram uma profissionalização dos pequenos empreendimentos do agro”, disse.

Ele salienta que a mudança acontece à luz da reforma tributária e do impacto que ela terá sobre o regime de funcionamento dos produtores, principalmente dos pequenos. “Uma grande fatia dos produtores rurais está alocada como pessoa física. Eles têm menos obrigações acessórias, mas com a reforma vão ter que emitir notas fiscais, algo que hoje muitos não fazem. Então, a exigência dessa emissão exige um comportamento mais profissional, que é o que estamos observando”, explica.

Sudeste domina o mapa da formalização

Os dados mostram ainda que o avanço do Simples Nacional no agro se concentra na região Sudeste, com 47,3% de todas as empresas do setor enquadradas no regime — mais de 200 mil negócios ativos. 

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A liderança se apoia principalmente em:

  • São Paulo: 95,8 mil empresas (22,6% do total nacional);
  • Minas Gerais: 56,4 mil (13,3%).

De acordo com Carlos, essa prevalência não indica um movimento atípico, mas reflete a distribuição geral das empresas no Brasil. “O Sudeste é campeão disparado em número de empresas em todos os segmentos. São mais de 22 milhões de empresas no País e, dessas, 18 milhões estão no Simples. Quando estratificamos, o Sudeste sempre aparece com participação maior. Então, esse aumento acompanha a tendência nacional”, explica.

Na sequência, aparece o Sul, com 19,3% das empresas. Depois, vem o Nordeste, com 17,1%. O Centro-Oeste concentra 10,7%, o que, conforme o IBPT, é reflexo de um perfil dominado por grandes grupos do agronegócio. 

70% das empresas foram abertas nos últimos 5 anos

Outro dado que chama atenção é a idade das empresas do agro no Simples Nacional. Entre as 423 mil que estavam ativas no primeiro semestre deste ano, 47% tinham até dois anos de existência e 25% entre três e cinco anos. Mais de 72% das empresas, portanto, são consideradas jovens — um indicador de renovação consistente no setor.

Para Carlos, esse fator reforça a tese de transformação estrutural. “O setor está se modernizando e se profissionalizando. Muitos produtores estão buscando no Simples uma forma rápida de se estruturar e acessar melhores contratos”, diz. Ele lembra que, em diversos elos da cadeia, empresas preferem fornecedores pessoa jurídica, o que acelera a formalização.

Para os próximos anos, a expectativa do IBPT é que a curva de empresas agro enquadradas no Simples Nacional permaneça ascendente. “A reforma tributária vai ser um gatilho. As empresas serão obrigadas a vender para outras empresas mediante a emissão de nota fiscal. Isso vai consolidar a tendência de criação de pessoas jurídicas no agro”, destaca Carlos.

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