Economia
Otimismo 'cauteloso' e pessimismo se misturam em setores ainda tarifados
De acordo com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), índice das exportações do agro isentas das tarifas dos EUA é de 55%
Redação Agro Estadão
25/11/2025 - 14:55

As negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos para ampliação da lista de itens de exportação isentos das tarifas de 50% — 40% adicionais e 10% recíprocos — geram reações distintas entre setores produtivos.
Enquanto a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) demonstra um “otimismo cauteloso”, impulsionado pela ampliação de produtos incluídos em listas de isenção tarifária — notícia que chegou na última semana —, a indústria de máquinas e equipamentos vive um clima de crescente preocupação diante dos efeitos imediatos e perspectivas futuras.
Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, o momento atual é de otimismo e pessimismo simultâneos. Ele reconhece que as condições para um acordo comercial — antes travadas por fatores políticos e geopolíticos — parecem mais favoráveis. Mas ressalta que isso não resolve o presente. “No nosso setor, não acreditamos em exceções. Somos concorrentes diretos dos norte-americanos e não seremos contemplados em nenhuma medida”, afirmou nesta terça-feira, 25, durante Encontro Empresarial Brasil–Estados Unidos 2025, promovido pela Amcham Brasil.
Os efeitos das tarifas norte-americanas sobre o setor já são mensuráveis. Durante o painel, Velloso lembrou que, em setembro, as exportações de máquinas caíram 13% em relação ao ano anterior. Em outubro, a queda saltou para 42%. De acordo com o dirigente da Abimaq, segmentos como máquinas rodoviárias, que representam boa parte da pauta de exportação, sofreram recuos superiores a 50% mês a mês.
Para Veloso, as tarifas elevadas funcionam como uma espécie de embargo comercial. “Nós estamos esperando uma queda muito maior [nas exportações] agora em novembro. Então, é uma consequência muito grande. Não tem como conviver com essas tarifas”, destacou.
Ele ressalta que a questão que pesa para o setor é o tempo que vai demandar para as negociações entre ambos os governos avançarem. “Acreditamos que começando as negociações, a gente vai ter uma boa resposta. […] O tempo vai demandar, mas não acreditamos em solução de curto prazo”, reiterou.
Otimismo, porém cauteloso
No agronegócio, o cenário tornou-se menos dramático na última semana, quando as exportações de carne bovina e café — com exceção do solúvel — tiveram as tarifas adicionais de 40%, permanecendo a de 10%, embora siga desafiador.
Ao lado do dirigente da Abimaq, a diretora-adjunta da CNA, Fernanda Carneiro, relembrou que, em julho, 24% das exportações do setor estavam em listas de isenção dos EUA. Neste mês, o índice subiu para 55%.
Ainda assim, a CNA adota postura de prudência. “Somos cautelosamente otimistas. […] Precisamos trabalhar para garantir que outros setores não percam espaço no mercado norte-americano”, disse, destacando que apenas 5,5% das exportações do agro hoje se beneficiam de acordos comerciais com os EUA, o que segundo ela, é um número baixo quando comparado a outros países exportadores.
Para alcançar mais espaço nas relações de comércio com os EUA, conforme a diretora-adjunta explicou, a CNA tem atuado principalmente para desconstruir desinformações presentes no processo da Seção 301, que investiga supostas práticas desleais de comércio praticadas pelo Brasil. “Eu lembro que, na Seção 301, havia alguma questão relativa a etanol Índia, e a gente foi levantar os dados. Nós importamos 17 vezes mais etanol dos Estados Unidos do que da Índia. Então, é esse o tipo de informação que a gente tem que trazer para a mesa”, salientou.
Newsletter
Acorde
bem informado
com as
notícias do campo
Mais lidas de Economia
1
Em investigação, China aponta 'dano grave' à indústria de carne bovina e notifica OMC e exportadores
2
Fim do papel: produtores rurais terão de emitir nota fiscal eletrônica em 2026
3
Reforma tributária: o que o produtor rural precisa fazer antes de janeiro?
4
Começa a valer obrigatoriedade de emissão de nota fiscal eletrônica
5
Salvaguarda à carne bovina: Câmara Brasil-China vê desfecho favorável ao setor brasileiro
6
Feiras do agro 2026: calendário dos principais eventos do setor
PUBLICIDADE
Notícias Relacionadas
Economia
Setor de vinhos do Brasil cobra condições equivalentes no acordo Mercosul-UE
Entidades avaliam que, sem ajustes internos, acordo tende a ampliar pressão de importados e afetar cadeia baseada na agricultura familiar
Economia
Desembolso no Plano Safra 2025/2026 cai 15,6% no 1º semestre, a R$ 186,146 bi
Montante corresponde a 45,8% do total disponível para a safra, de R$ 405,9 bilhões; produtores estão retraídos por conjuntura adversa
Economia
Acordo Mercosul-UE divide o agro brasileiro entre apoio e críticas
Faesp e Tereza Cristina defendem cautela com salvaguardas europeias, enquanto exportadores de suco de laranja celebram ganhos tarifários
Economia
Entenda as principais cotas agrícolas do acordo Mercosul-UE
Carnes bovina, suína e de aves terão limites de exportação, mas frutas, mel e arroz ganham acesso livre
Economia
Brasil tem 9 unidades aprovadas para exportar gelatina e colágeno para Turquia
Outras 8 estão em processo de análise
Economia
Salvaguardas no Mercosul-UE não impedem avanço das exportações do agro, diz Rubens Barbosa
Países da UE aprovam provisoriamente acordo com o Mercosul; veja análise do ex-embaixador do Brasil em Washington
Economia
França informa que votará contra o acordo Mercosul-UE
Chefe de Estado francês diz que, apesar das negociações de última hora, é "impossível" assinar o tratado nas atuais configurações
Economia
Cotas da China alertam para possível corrida nos embarques de carne bovina
Mercado segue estável, enquanto exportadores aguardam definição sobre a distribuição dos volumes; sobretaxa pode elevar valor do quilo