PUBLICIDADE

Economia

Carnes bovina e suína voltam a ser tributadas pelo México após ajuste

Decreto mantém tarifa zero para frango, milho e ovos; bovina e suína voltam a pagar até 25%

Nome Colunistas

Broadcast Agro

01/01/2026 - 17:46

Foto: Adobe Stock
Foto: Adobe Stock

O governo mexicano prorrogou o Paquete Contra la Inflación y la Carestia (Pacic) por mais um ano até 31 de dezembro de 2026, mantendo a isenção da tarifa de importação sobre frango, alguns peixes, aves, frutas e hortaliças, mas retirou uma série de alimentos do rol de isentos. Carnes bovina e suína, leite e derivados, arroz em casca, feijão, óleos vegetais, tilápia e embutidos foram excluídos e voltarão a ter tarifas para entrada no país.

O Pacic, que se estendia até esta quarta, ,31, isenta a tarifa de importação aplicada sobre produtos agropecuários que compõem o consumo das famílias mexicanas. A lista de alimentos com o benefício fiscal inclui carne de aves, milho e ovos – produtos nos quais o Brasil tem forte presença exportadora e que são utilizados na produção de alimentos da cesta básica mexicana. Pelo Pacic, os importadores podem comprar os produtos agropecuários sem imposto e, em contrapartida, garantem que não haverá aumento no preço da cesta básica em compromisso assinado com o governo mexicano.

CONTEÚDO PATROCINADO

As mudanças foram publicadas hoje em decreto no Diário Oficial do país, assinado pela presidente Claudia Sheinbaum, com entrada em vigor a partir de amanhã (1º). “Em conformidade com o Acordo de Renovação do Pacic e após análise das pressões inflacionárias dos últimos meses, que levaram à instabilidade dos preços dos produtos alimentícios básicos, e do crescimento das importações de países com os quais o México não possui acordo de livre comércio, é necessário examinar a adequação da manutenção da isenção tarifária para determinados produtos”, justificou Sheinbaum. A presidente citou ainda metas de elevação da produção local dos itens retirados no Pacic para argumentar a decisão.

Para os produtos que foram retirados do rol de isenção, o governo mexicano manteve a manutenção dos benefícios até 31 de março para contratos firmados neste ano. Com a mudança, sem a tarifa zerada, o imposto de importação mexicano chega 25% para carne bovina e 20% para carne suína.

Os ajustes no Pacic, bem como sua continuidade, já haviam sido sinalizados pelo governo mexicano a importadores e indústrias locais, como mostrou o Broadcast Agro. As mudanças eram vistas com cautela pelos exportadores brasileiros, que temiam perda de acesso ao mercado mexicano. Apesar dos ajustes, o Ministério da Agricultura avalia que há manutenção da competitividade das exportações dos produtos agropecuários brasileiros ao mercado mexicano. A principal preocupação era quanto à alíquota aplicada sobre o frango, de 75%, que foi mantido no rol de isenções.

O pacote mexicano contra a inflação e para segurança do abastecimento foi criado em maio de 2022 pelo então presidente Andrés Manuel López Obrador. Posteriormente, o programa foi renovado até o fim deste ano pela presidente do México, Claudia Sheinbaum. O governo brasileiro e o setor produtivo vinham negociando a prorrogação do pacote juntamente com o governo mexicano. O pedido brasileiro de extensão do Pacic foi pautado em uma comitiva recente ao país – em agosto, liderada pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, com a participação de mais de 150 empresários brasileiros. Na ocasião, as autoridades mexicanas indicaram a continuidade do Pacic, segundo fontes. Agora, o governo brasileiro busca a manutenção das condições na renovação. O pedido do Brasil é pelo anúncio antecipado da prorrogação do programa para evitar soluções no fluxo comercial entre os países.

A avaliação do governo brasileiro é de que a política contribuiu para ampliar a balança comercial entre os países e ajudou a controlar a inflação no México. Neste ano, até novembro, o Brasil exportou US$ 2,983 bilhões em produtos agropecuários ao México, sobretudo carnes e de produtos do complexo soja, de acordo com dados do Agrostat – sistema de estatísticas de comércio exterior do agronegócio brasileiro. Até o momento, o país é o sétimo destino na balança comercial do agronegócio brasileiro, ante o 13º posto no último ano. O México se tornou um destino ainda mais relevante para o agronegócio brasileiro após o tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos importados brasileiros. Um exemplo é a carne bovina, para qual o país se tornou segundo principal destino de vendas externas após a sobretaxa americana.

Siga o Agro Estadão no WhatsApp, Instagram, Facebook, X, Telegram ou assine nossa Newsletter

PUBLICIDADE

Notícias Relacionadas

Acordo Mercosul-UE levanta críticas do governo Trump às vésperas de assinatura

Economia

Acordo Mercosul-UE levanta críticas do governo Trump às vésperas de assinatura

Comentários focam em regras que impedem venda de produtos com selos europeus de indicações geográficas

Aporte de US$ 1,3 bilhão da JBS permitirá ao México cortar 35% das importações de frango

Economia

Aporte de US$ 1,3 bilhão da JBS permitirá ao México cortar 35% das importações de frango

Ministro da Economia do México vê investimento da Pilgrim’s Pride como oportunidade de ampliar a produção avícola e gerar empregos

Setor de máquinas agrícolas fecha 2025 em baixa nos EUA

Economia

Setor de máquinas agrícolas fecha 2025 em baixa nos EUA

Instabilidade econômica e menor renda dos produtores pressionam o mercado, mas setor aposta em retomada em 2026

Acordo entre Canadá e China reduz taxas para canola e pescados

Economia

Acordo entre Canadá e China reduz taxas para canola e pescados

Pequim cortará impostos de 84% para 15% até março, beneficiando produtores de grãos do Canadá

PUBLICIDADE

Economia

Governo da Indonésia cancela implementação obrigatória do B50 para 2026

Testes automotivos e estudos sobre o B50 seguem em curso no país, mas a adoção efetiva dependerá da dinâmica de preços

Economia

Carne bovina brasileira bate recorde de exportações para o mundo árabe

Vendas do produto para o bloco somaram US$ 1,79 bilhão em 2025, quase 2% a mais em relação ao ano anterior

Economia

Exportadores de pescado precisarão de certificado para vender aos EUA

Nova regra obriga apresentação do documento COA em mais de 60 produtos e restringe pescados obtidos por emalhe

Economia

Vendas semanais de soja dos EUA superam previsões do mercado

Exportações da safra 2025/26 somam 2,06 milhões de toneladas, com forte demanda da China

Logo Agro Estadão
Bom Dia Agro
X
Carregando...

Seu e-mail foi cadastrado!

Agora complete as informações para personalizar sua newsletter e recebê-la também em seu Whatsapp

Sua função
Tipo de cultura

Bem-vindo (a) ao Bom dia, Agro!

Tudo certo. Estamos preparados para oferecer uma experiência ainda mais personalizada e relevante para você.

Mantenha-se conectado!

Fique atento ao seu e-mail e Whatsapp para atualizações. Estamos ansiosos para ser parte do seu dia a dia no campo!

Enviamos um e-mail de boas-vindas para você! Se não o encontrar na sua caixa de entrada, por favor, verifique a pasta de Spam (lixo eletrônico) e marque a mensagem como ‘Não é spam” para garantir que você receberá os próximos e-mails corretamente.