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Economia

Europa recolhe carne bovina do Brasil e amplia pressão contra acordo Mercosul-UE

Medida foi tomada em pelo menos 11 países da UE e no Reino Unido por causa de hormônios proibidos em lotes de carne brasileira

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Sabrina Nascimento | São Paulo | sabrina.nascimento@estadao.com

08/12/2025 - 16:23

Segundo consultor, Brasil precisa ter cuidado por causa do rigor das exigências do mercado de carne. Foto: Adobe Stock
Segundo consultor, Brasil precisa ter cuidado por causa do rigor das exigências do mercado de carne. Foto: Adobe Stock

A Comissão Europeia determinou o recolhimento de lotes de carne bovina brasileira após a detecção de hormônios proibidos em remessas que chegaram ao bloco no início do mês. Após a descoberta, os produtos foram retirados das prateleiras em 11 países da União Europeia (UE), além do Reino Unido.

Devido ao ocorrido, autoridades nacionais emitiram alertas sanitários e reforçaram a fiscalização em mercados como Alemanha, Áustria, Itália, Grécia, Países Baixos e Irlanda. Ainda não há informação oficial sobre a origem exata dos lotes no Brasil.

CONTEÚDO PATROCINADO

Segundo Fernando Iglesias, analista de Safras & Mercado, o episódio não é incomum. “Nós já vimos isso acontecer anteriormente. A China, recentemente, teve todas aquelas questões envolvendo o fluazuron também, aqui com o Brasil, no início de novembro”, disse. 

Ele alerta, no entanto, que o Brasil precisa ter muita cautela dentro do mercado global, considerando um maior rigor das exigências internacionais. “O Brasil precisa ser muito cauteloso para não sofrer nenhum tipo de consequência nesse ambiente, que tem sido cada vez mais rigoroso e criterioso em relação à qualidade dos produtos que são consumidos, não só de carne bovina, como de outros produtos”, destaca. 

A reportagem procurou o Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil (Mapa) e a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras (Abiec), mas não obteve retorno até a publicação. 

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Aumento de pressão

O recolhimento dos lotes ocorre em um momento decisivo para o acordo comercial Mercosul-UE — em negociação há mais de duas décadas. 

A reação mais dura em relação ao caso partiu da Associação Irlandesa de Agricultores (IFA), que classificou o episódio como “preocupante” e indicativo de falhas nos controles sanitários brasileiros. Segundo o presidente da IFA, Francie Gorman, o caso reforça argumentos contra a abertura do mercado europeu à carne do Mercosul.

De acordo com a emissora pública nacional da Irlanda, RTÉ, Gorman acrescentou que as conclusões “devem servir de alerta sério para os burocratas e apoiadores que tentam aprovar um acordo comercial com o Mercosul em benefício da grande indústria, em detrimento dos agricultores europeus e da saúde e bem-estar dos cidadãos da UE.”

A França, que lidera a resistência ao acordo, também enfrenta forte pressão interna de produtores rurais. Agricultores temem perder espaço para a carne brasileira e de outros países do bloco sul-americano. Embora críticos sigam mobilizados, o presidente Emmanuel Macron afirmou a empresários brasileiros, em 6 de novembro, ver “perspectivas positivas” para o avanço do tratado. Pouco depois, porém, o Parlamento francês aprovou uma resolução rejeitando a assinatura.

Votação decisiva no Parlamento Europeu

Nesta segunda-feira, 8, a Comissão do Comércio Internacional do Parlamento Europeu irá votar um pacote de salvaguardas agrícolas. Conforme noticiado pelo Agro Estadão, entre as medidas em discussão, está a intervenção automática caso as importações do Mercosul aumentem mais de 10% ao ano ou os preços caiam mais de 10%. As ações buscam tranquilizar produtores europeus e facilitar a aceitação política do acordo, apoiado por países como Espanha e Alemanha. A expectativa é de aprovação.

Se aprovado, o texto do acordo será submetido ao Parlamento Europeu entre 16 e 19 de dezembro. Para seguir adiante, precisa do aval de 15 dos 27 Estados-membros. A assinatura do tratado está prevista para o dia 20, no Brasil, caso haja consenso.

Pelo texto atual, o Mercosul poderá exportar 99 mil toneladas de carne bovina à UE com tarifa reduzida e outras 180 mil toneladas de frango. Assim, o acordo é considerado estratégico para ampliar mercados. “[As detecções de hormônios proibidos] são questões pontuais e têm que ser tratadas como uma questão pontual, não é algo recorrente. O Brasil é hoje referência em sanidade animal, é referência em precocidade da carne, é referência em produto de qualidade que atende as necessidades dos principais mercados em escala global. O Brasil, hoje, tem muito critério para atender essa demanda mundial”, enfatizou Iglesias. 

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