Economia
Futuros do café arábica recuam quase 10% em um mês
Movimento reflete ajuste técnico após patamares históricos, porém, Markestrat alerta não haver espaço para quedas mais acentuadas no médio prazo
Redação Agro Estadão
02/02/2026 - 12:40

O mercado de café atravessa um momento de correção no curto prazo, com quedas expressivas nos preços do arábica e do robusta, tanto no mercado físico quanto nos contratos futuros.
Segundo a Markestrat Group, o movimento reflete, principalmente, ajustes técnicos após atingir patamares recordes desde o final de 2024. Somam-se ao cenário, fatores ligados a custos logísticos e questões tarifárias, que continuam influenciando a formação de preços.
No café arábica, os recuos são mais intensos nos vencimentos futuros. Em um mês, o contrato março/26 acumula queda próxima de 9,76%, enquanto maio/26 e julho/26 registram perdas de 10,37% e 10,28%, respectivamente. Na comparação semanal — considerando a última semana de janeiro e anterior —, as baixas variam entre 5% e 6%, sinalizando um ambiente de maior pressão vendedora no curto prazo.
No caso do café robusta, o comportamento é semelhante, porém com quedas mais modestas. Em um mês, os contratos futuros recuaram entre 3% e 4,5%, enquanto o mercado físico registrou queda de 4,11%.
Apesar das quedas, os especialistas da Markestrat reforçam que os preços ainda seguem em níveis considerados elevados do ponto de vista histórico. “Mesmo diante da retração nos preços e de um menor volume exportado, a receita das exportações permanece elevada, sustentada por preços médios ainda altos”, destacam. A consultoria ressalta que, esse fator indica que o mercado global de café continua estruturalmente apertado, com oferta limitada e demanda resiliente, reduzindo o espaço para quedas mais profundas no médio prazo.
Para o produtor, os especialistas apontam um cenário que exige atenção redobrada à gestão do negócio. “O foco deve estar na eficiência de custos, qualidade do produto e planejamento da próxima safra, em um ambiente de maior volatilidade e margens mais sensíveis”, traz o relatório.
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