Economia
Brasileiro consumiu em média 1,4 mil xícaras de café no último ano
Preço médio do café subiu 5,8% em 2025 e associação espera menos variações nos valores em 2026
Redação Agro Estadão
29/01/2026 - 15:05

A Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) divulgou nesta quinta-feira, 29, os dados do consumo de café do Brasil entre novembro de 2024 e outubro de 2025, período utilizado para fazer a medição anual. Foram 1.400 xícaras de café consumidas em média por cada brasileiro nesse período.
Mesmo assim, o resultado apresenta um recuo de 2,31% frente a igual período anterior. Ao todo, o Brasil consumiu 21,409 milhões de sacas de 60 quilos. Isso representa cerca de 37,9% da safra brasileira de café em 2025, estimada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 56,54 milhões de sacas.
Em termos de demanda do mercado interno, o Brasil só ficou atrás dos Estados Unidos, que consumiu aproximadamente 5 milhões de sacas a mais. No entanto, o consumo por pessoa coloca o brasileiro à frente dos norte-americanos, com 6,02 quilos de café cru por habitante frente os 4,9 quilos por habitante dos Estados Unidos.
O consumo de café torrado e moído no Brasil foi de 4,82 quilos por pessoa, uma queda de 3,88% frente ao período de novembro de 2023 a outubro de 2024. Segundo a ABIC, parte desse recuo no consumo per capita do café torrado e moído é devido a base populacional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que aumentou.

Preço do café sobe 5,8%
Também foram divulgados um balanço do preço médio do café torrado e moído. De acordo com a associação, o café teve uma alta de 5,8% em 2025, contrastando com o preço médio da cesta básica, que caiu 4,8%.
Os preços médios por categoria de café também foram mostrados:
- cafés classificados com certificado de Especiais: aumento de 4,3%;
- cafés Gourmets: aumento de 20,1%;
- cafés Superiores: queda de 3,5%;
- cafés Tradicionais e Extrafortes: aumento de 5,8%;
- cafés em cápsulas: queda de 16,8%.
“O cenário de preço do café, em 2024 e 2025, foi norteado por variações climáticas, produção insuficiente e baixos estoques, que tornaram o preço do café no varejo instável. Em 2026, a indicação é de uma safra boa, um clima mais estável, que poderá favorecer um mercado mais equilibrado e sem maiores variações de preço do café na gôndola”, comentou a entidade.
Os dados da matéria-prima também foram apresentados. A saca do café arábica teve um aumento de 212% nos últimos cinco anos. Apesar disso, somente na janela de 2025, o preço teve recuo de 11,8%. Já a saca café conilon teve alta de 201% no período dos últimos cinco anos e uma queda de 40,2% no ano de 2025.
Faturamento supera R$ 46 bilhões
Mesmo com uma queda no consumo de café, os preços altos ajudaram as empresas a faturarem 25,6% a mais do que em 2024 com o mercado interno. A receita total obtida foi de R$ 46,24 bilhões.
O resultado está em linha com a alta observada nas exportações brasileiras de café. Como havia informado o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o país exportou menos em volume, mas bateu recorde em faturamento no ano passado. A Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) também divulgou nesta semana o desempenho do café solúvel, que cresceu em consumo no país, mas a quantidade exportada teve decréscimo.
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