Economia
Tarifaço dos EUA reduz exportações de café solúvel do Brasil em 2025
Embora o consumo interno e a receita cambial tenham batido recordes no ano, volume vendido ao exterior recuou mais de 10%
Redação Agro Estadão
28/01/2026 - 17:35

O café solúvel produzido no Brasil teve uma trajetória de contrastes em 2025. Enquanto o mercado doméstico registrou consumo em alta, o desempenho no exterior enfrentou obstáculos comerciais e redução nas exportações.
De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), o volume total de café solúvel exportado somou o equivalente a 3,7 milhões de sacas de 60 kg, um recuo de 10,6% na comparação com 2024. Esse movimento representou uma interrupção do crescimento observado nos anos anteriores e está intimamente ligado à tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos, principal destino histórico do produto, que encareceu o solúvel brasileiro no mercado norte-americano e reduziu fortemente o fluxo de embarques.

Mesmo com a queda no volume, o setor brasileiro conseguiu aumentar a receita cambial, ultrapassando US$ 1,09 bilhão em 2025, valor 14,4% superior ao registrado em 2024. Esse resultado reflete, em grande parte, a valorização dos preços internacionais do café, tanto na categoria solúvel quanto em outras modalidades, impulsionando os ganhos mesmo diante de quantidades menores exportadas.
A exportação para os Estados Unidos teve redução de mais de 28%, sinalizando a perda de competitividade frente a concorrentes que não enfrentam tarifas tão elevadas. Outros mercados, como Argentina, Rússia, Indonésia e México, mostraram desempenho mais positivo, com incremento nas importações brasileiras de café solúvel, ainda que não tenha compensado totalmente o recuo norte-americano.

Por outro lado, o consumo no Brasil atingiu um novo patamar recorde, com mais de 1,17 milhão de sacas consumidas internamente, representando crescimento de quase 9,5% sobre o ano anterior. Essa expansão reflete tanto a preferência crescente dos consumidores brasileiros pelo produto quanto a maior competitividade de preço em relação a outros tipos de café, aspecto valorizado especialmente em um contexto de inflação e busca por alternativas acessíveis.
Entretanto, especialistas da Abics destacam que o setor não está imune a riscos. A crise tarifária nos Estados Unidos, combinada com a necessidade de diversificação de mercados e possíveis impactos de mudanças tributárias no Brasil, exigem estratégias mais robustas para preservação de participação global e sustentabilidade econômica.
Para a associação, o desafio para os próximos anos será encontrar caminhos que fortaleçam a atuação internacional do café solúvel brasileiro sem perder o ímpeto conquistado no mercado interno, especialmente diante de um cenário global cada vez mais competitivo e sujeito a barreiras comerciais.
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