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Economia

Café solúvel vê acordo Mercosul-UE como saída diante das tarifas dos EUA

Setor segue tarifado em 50% pelo seu principal cliente e não vê luz no fim do túnel das negociações diante do atual cenário geopolítico

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Sabrina Nascimento | São Paulo | sabrina.nascimento@estadao.com

12/01/2026 - 05:00

Abics vê oportunidades no acordo, mas continua tratativas com os Estados Unidos. Foto: Adobe Stock
Abics vê oportunidades no acordo, mas continua tratativas com os Estados Unidos. Foto: Adobe Stock

O avanço do acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE) surge como um possível alívio para a indústria brasileira de café solúvel, em um momento em que o setor segue penalizado pelas tarifas adicionais dos Estados Unidos (EUA), seu principal mercado. 

Segundo o diretor de Relações Institucionais da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), Aguinaldo Lima, o setor tende a ser um dos beneficiados pelo tratado. “São 9% de tarifa que fica desgravada em quatro anos, proporcional a quatro anos de desgravação”, disse.

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Apesar do potencial, ao Agro Estadão Lima demonstrou cautela quanto aos efeitos. “Ainda tem alguns caminhos. [O acordo] não vai ser colocado de imediato e a gente não sabe ainda quanto tempo leva para iniciar a aplicação disso”, afirma. Apesar disso, ele ressalta que o acordo representa uma alternativa concreta ao mercado norte-americano.

Sem sinal de alívio nos EUA

No atual cenário geopolítico, em que o governo Trump está concentrado em suas ações na Venezuela, o setor de café solúvel não enxerga perspectiva de quando — ou se — os Estados Unidos irão decidir rever as tarifas adicionais que ainda pesam sobre alguns itens da pauta exportadora brasileira. “A gente não sabe qual é a importância que o Brasil tem para poder ser tirado dessas tarifas injustas que foram colocadas em alguns produtos, e o solúvel está no meio”, afirmou.

Mesmo com a sobretaxa de 50%, os Estados Unidos seguem como o principal destino do café solúvel brasileiro. Por isso, o setor persiste nas tratativas, trabalhando em três frentes: com os clientes nos Estados Unidos e com os governos brasileiro e norte-americano.

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Como esperado, o impacto das tarifas aparece nos números. “Sendo os Estados Unidos o principal mercado, isso [tarifas] realmente traz muito prejuízo para o nosso País. Devemos fechar o ano [de 2025] com menos de 9% em relação ao ano anterior, em termos de volume, exatamente por conta da perda de mercado nos Estados Unidos”, disse.

Nesse contexto, a União Europeia ganha relevância estratégica para a indústria brasileira de café solúvel. De acordo com a Abics, os Estados Unidos respondem atualmente por cerca de 20% das exportações brasileiras do segmento, enquanto o bloco europeu ocupa a segunda posição, com aproximadamente 14% do volume total embarcado.

Para Lima, o espaço para crescimento na União Europeia é relevante. “É significativo. A gente tem grande possibilidade de crescer no mercado europeu. Então, é uma grande notícia depois de quase 25 anos”, salientou.

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