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Economia

Além da soja, EUA perdem espaço na China para o amendoim do Brasil

Enquanto os embarques norte-americanos caíram 48% entre janeiro e agosto, as exportações brasileiras à China saltam 6.000%

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Redação Agro Estadão

30/09/2025 - 11:27

Foto: Adobe Stock
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Além do mercado da soja, as disputas comerciais entre China e Estados Unidos (EUA) têm aberto espaço para o avanço do Brasil no mercado chinês de amendoim. Acrescenta-se ao cenário a quebra de safra no Sudão e Senegal. 

Dados compilados pela Scot Consultoria mostram que, entre janeiro e agosto de 2025, as importações chinesas de amendoim em grão dos EUA caíram 48,6% frente ao mesmo período do ano passado. Saindo de 69,4 mil para 35,7 mil toneladas. Já o Brasil registrou forte avanço, exportando 37,8 mil toneladas — alta de 6.000% sobre 0,6 mil toneladas enviadas em 2024, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior. 

CONTEÚDO PATROCINADO

Importação chinesa de amendoim em grão dos EUA X Brasil (janeiro a agosto de 2025)

Fonte: elaborado por Scot Consultoria com dados da GACC

No caso do óleo de amendoim, o desempenho também foi expressivo: 95,7 mil toneladas exportadas ao mercado chinês, alta de 347,3% na mesma comparação. Já no caso dos EUA, observa-se uma queda nos embarques.

Importação chinesa de óleo de amendoim dos EUA X Brasil (janeiro a agosto de 2025)

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Fonte: elaborado por Scot Consultoria com dados da GACC

Apesar do avanço, especialistas da Scot Consultoria projetam que as exportações brasileiras de amendoim tenham ritmo mais moderado no curto prazo, diante do avanço da colheita chinesa, prevista até novembro. “O que pressiona preços e aumenta a disponibilidade interna no país asiático”, apontam em relatório. A expectativa, no entanto, é de maiores volumes de vendas externas a partir de abril de 2026, período de maior demanda sazonal.

Demanda x oferta

O salto das exportações brasileiras ocorre em um contexto de retração da demanda chinesa por amendoim em grão. De janeiro a agosto de 2025, a China importou 140 mil toneladas — o menor volume em cinco anos. O montante é 73,8% abaixo das 534,5 mil toneladas registradas no mesmo intervalo de 2024, segundo dados da autoridade alfandegária chinesa (GACC), compilados pela Scot Consultoria.

A redução das importações se deveu principalmente à quebra de safra em países africanos que tradicionalmente abastecem a China. No Senegal, a produção caiu 54% em 2024/25 devido à seca e à redução de área cultivada, o que levou o governo a restringir exportações até o segundo trimestre de 2025. No Sudão, a guerra civil iniciada em 2023 afetou o escoamento da produção, incluindo ataques ao porto de Port Sudan em maio deste ano, que comprometeram a infraestrutura de energia e logística.

Ao mesmo tempo, a China colheu uma safra robusta, estimada em 18,4 milhões de toneladas em 2024/25, com previsão de 18,8 milhões em 2025/26, segundo projeção do Departamento de Agricultura dos EUA. “A maior oferta doméstica, somada à menor demanda para consumo in natura, reduziu as compras externas”, salienta a consultoria.

Já no óleo de amendoim, o cenário foi oposto: a escassez de grãos elevou a demanda pelo produto industrializado. A China importou 254,3 mil toneladas de óleo entre janeiro e agosto, alta de 40,3% em relação a 2024, de acordo com a alfândega chinesa.

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