Pecuária
Exportações de carne batem recorde, mas tarifa dos EUA impacta setor
Abrafrigo já relata cancelamento de compras por parte de importadores americanos que compõem o segundo maior destino da carne bovina brasileira
Redação Agro Estadão
17/07/2025 - 11:09

As exportações de carne bovina do Brasil seguem em alta. Em junho, os embarques — somando carnes in natura, processadas e miudezas comestíveis — cresceram 55% em receita e 41% em volume, na comparação com o mesmo período de 2023. Segundo informação divulgada nesta quinta-feira, 17, pela Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), o país movimentou US$ 1,5 bilhão com a exportação de 341,5 mil toneladas.
O desempenho superou o recorde anterior, registrado em outubro de 2024, de 319.289 toneladas. Os dados utilizados pela Abrafrigo são da Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento.
Ainda conforme a Associação, no primeiro semestre de 2025, as exportações totais de carne e subprodutos bovinos somaram US$ 7,4 bilhões, alta de 28% sobre igual período do ano passado. Em volume, foram embarcadas 1,7 milhão de toneladas — crescimento de 17,3% frente às 1.440.439 toneladas do primeiro semestre de 2024.
Importadores americanos cancelam compras
Os Estados Unidos, segundo maior comprador da carne bovina brasileira, impulsionaram suas aquisições em 85,4% no volume e 99,8% na receita no semestre — foram 411.702 toneladas e US$ 1,287 bilhão.
Porém, o bom desempenho pode ser afetado pela tarifa adicional de 50%, anunciada em julho e prevista para entrar em vigor em 1º de agosto. De acordo com a Abrafrigo, o setor já relata cancelamentos de pedidos por parte de importadores americanos e acompanha com apreensão as negociações para tentar reverter a medida.
Desempenho dos demais mercados
A China, principal destino da carne bovina brasileira, aumentou suas compras em 11,3% no volume e em 27,4% na receita no primeiro semestre de 2025. Foram 631.907 toneladas embarcadas, que renderam US$ 3,204 bilhões — ante 567.683 toneladas e US$ 2,516 bilhões no mesmo período de 2024. O preço médio pago subiu de US$ 4.433 para US$ 5.071 por tonelada, impulsionado pela valorização da arroba. Hoje, a China responde por 43% da receita e 37,4% do volume exportado.
O Chile foi o terceiro maior comprador, com alta de 21% no volume e 37,4% na receita. O México subiu para a quarta posição, ampliando suas compras em 189% no volume e 235% na receita.
No total, conforme os dados compilados pela Abrafrigo, 118 países aumentaram suas compras no semestre, enquanto 51 reduziram.
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