Pecuária
Resíduos na carne bovina: como prever riscos no manejo e evitar produtos ilegais
Sindan alerta que falhas no manejo e o uso de produtos ilegais elevam riscos de resíduos acima do limite e geram prejuízos ao pecuarista
Sabrina Nascimento | São Paulo | sabrina.nascimento@estadao.com
12/12/2025 - 05:10

A presença de resíduos de produtos veterinários em carne bovina brasileira detectada na União Europeia e na China aumentou a pressão internacional e motivou um novo movimento de alerta dentro da indústria exportadora e da cadeia produtiva.
Em entrevista ao Agro Estadão, o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan) reforçou que o uso correto dos medicamentos veterinários depende do respeito à dose, forma de aplicação e período de carência.
Segundo a entidade, quando essas orientações são seguidas, não há motivo para que resíduos ultrapassem os limites estabelecidos pelos mercados interno e externo, assim como pelos padrões estabelecidos no Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
“Hoje, a rotulagem e a bula destacam de forma muito clara todas as advertências e restrições de uso — como não utilizar ovos, leite ou carne para consumo humano por determinados dias após a aplicação do produto. […] Além disso, é fundamental observar se o produto é verdadeiro, se possui licença, responsável técnico e autorização do Mapa, e também seguir corretamente todas as orientações de uso”, disse o vice-presidente executivo do Sindan, Emílio Carlos Salani.
Além disso, o executivo destaca que é fundamental diferenciar dois tipos de ocorrência: o resíduo decorrente do uso inadequado de um produto registrado e o resíduo resultante do uso de substâncias ilegais, contrabandeadas ou fabricadas sem autorização do Mapa. “O efeito final pode ser semelhante, mas a origem do problema e a solução são completamente diferentes”, afirma.
O Sindan alerta que produtos contrabandeados, falsificados ou vendidos por canais irregulares — como vendedores informais ou lojas sem responsável técnico — representam um risco elevado tanto para a saúde animal quanto para a segurança alimentar. “É fundamental observar se o produto é verdadeiro, se possui licença, responsável técnico e autorização do Mapa, e também seguir corretamente todas as orientações de uso”, reforça Salani.
Ele lembra que o benefício econômico de comprar um produto ilegal é mínimo, enquanto os riscos são consideráveis: perda de produtividade, danos ao rebanho, detecção de resíduos acima do permitido e responsabilização do produtor.
Ação contra a pirataria de medicamentos veterinários
Diante desse cenário, o Sindan intensificou ações de orientação e fiscalização por meio da ‘Campanha Olhos Abertos de Combate à Pirataria de Medicamentos Veterinários’, iniciativa voltada a conscientizar produtores, distribuidores e profissionais da área sobre os riscos do uso de produtos irregulares.
A campanha reúne materiais educativos, ações de comunicação e parcerias com o Conselho Federal de Medicina Veterinária e associações do setor. Parte das ações também envolve o incentivo à denúncia: o canal disponibilizado (aqui) pelo Sindan encaminha relatos diretamente à ouvidoria do Ministério da Agricultura, facilitando a atuação de órgãos de fiscalização.
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