PUBLICIDADE

Pecuária

Exportadores retomam reservas de frango ao Oriente Médio, diz ABPA

Setor vê retomada gradual dos bookings, mas alerta para aumento de custos e atrasos devido à guerra na região

Nome Colunistas

Sabrina Nascimento | São Paulo | sabrina.nascimento@estadao.com

05/03/2026 - 15:52

Foto: Adobe Stock
Foto: Adobe Stock

Alguns armadores que haviam suspendido novos contratos de embarque de carne de frango para rotas que passam pela região do Oriente Médio voltaram a aceitar reservas, os chamados bookings. As informações são da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que representa gigantes do setor como MBRF e Seara, do grupo JBS.

Segundo o presidente da ABPA, Ricardo Santin, a paralisação, noticiada no início desta semana, atingiu principalmente novos contratos logo após o início do conflito. “O que a gente tem de evolução, do início do conflito para hoje, é a liberação do acesso ao Mar Vermelho. Com isso, algumas das operadoras, alguns dos armadores, três deles já estão fazendo bookings novos”, disse ao Agro Estadão.

CONTEÚDO PATROCINADO

Apesar disso, o dirigente ressalta que a normalização da logística ainda está longe de acontecer. Desde o início da guerra, as empresas marítimas decidiram garantir o envio de cargas que já estavam contratadas antes da escalada do conflito, porém, os prazos de entrega deverão sofrer alteração, elevando os custos. “As empresas armadoras disseram: ‘tudo o que estava contratado, pronto para ir, vai sair’. Não quer dizer que vai chegar na data que havia previsto, mas ele vai sair”, explicou. 

Como alguns navios já estão em trânsito para a região, o setor também pensa em planos alternativos, caso o conflito persista até a chegada das embarcações à região. Uma das alternativas seria levar as cargas até Omã e os importadores dos Emirados Árabes buscarem a carga de caminhão para levar ao seu país, atravessando a fronteira. 

Outra alternativa seria redirecionar parte da carga para outros mercados consumidores ou centros logísticos na Ásia, como Singapura e Vietnã, que, conforme explica Santin, são hubs de armazenamento. “Primeiro o Mapa [Ministério da Agricultura e Pecuária] precisa nos autorizar [a fazer o redirecionamento], depois nós vamos fazer o levantamento de quanto [de carga] está em água”, diz, ressaltando que começam a perceber uma melhora no fluxo da região, mesmo ainda existindo uma preocupação em relação ao tempo de duração da guerra. 

PUBLICIDADE

Um sinal de melhora no fluxo, encarado com otimismo pelo setor, é a informação do governo do Irã de que o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes e estratégicas do mundo, está fechado somente para os Estados Unidos, Israel, Europa e seus apoiadores. A medida dá sinais de que embarcações com produtos brasileiros poderão seguir pela rota.

Há expectativa também de que o tráfego seja normalizado no Canal de Suez. “Isso já aconteceu ano passado, fecha preventivamente, depois vê que não há bombardeios destinados àquela localização, aí reabre o canal de Suez também e já ajuda bastante”, afirma Santin. 

Custos logísticos aumentam

Ricardo Santin
Ricardo Santin avalia melhora parcial no fluxo de frango para o Oriente Médio. Foto: ABPA/Divulgação

As mudanças de rota e os atrasos no transporte, inevitavelmente, geram custos extras para as empresas exportadoras. Santin explica que isso acontece, uma vez que embarcações que deveriam ter chegado ao destino precisam permanecer em portos de segurança ou aguardando em alto-mar, o que gera despesas adicionais. “Segunda-feira deveria estar chegando navio lá, provavelmente esse navio não conseguiu chegar. Ele teve que parar em algum porto de segurança e está em mar, gastando combustível.”

Outro impacto ocorre quando a carga precisa ser enviada para destinos diferentes dos previstos inicialmente. “Outro custo é ter que sair de lá [Oriente Médio] e levar para Singapura. Por exemplo, ter contratado um frete de 100 quilômetros e ter que fazer um de 150 quilômetros. Então, vai aumentar o custo”, destacou, salientando que, além disso, nesses casos, o redirecionamento também pode afetar o preço final recebido pelo exportador.

Além do mais, os efeitos logísticos da guerra podem provocar atrasos na cadeia de transporte marítimo, atrasando os embarques destinados a outros mercados, como o da Ásia. “Isso atrasa um pouco, por quê? Porque aquilo que ia chegar lá amanhã vai chegar só depois de amanhã e já atrasou a chegada dele [navio] aqui na volta.”

Siga o Agro Estadão no WhatsApp, Instagram, Facebook, X, Telegram ou assine nossa Newsletter

PUBLICIDADE

Notícias Relacionadas

Guerra no Oriente Médio eleva incertezas para exportações brasileiras de gado vivo

Pecuária

Guerra no Oriente Médio eleva incertezas para exportações brasileiras de gado vivo

Preocupação do mercado se concentra nos efeitos indiretos do conflito, como logística, custos mais altos e prazos de transporte

Preço do leite sobe após nove meses de queda consecutiva

Pecuária

Preço do leite sobe após nove meses de queda consecutiva

A expectativa é de manutenção desse viés de alta em março, aponta Scot consultoria

Rio Grande do Sul confirma foco de gripe aviária em aves silvestres

Pecuária

Rio Grande do Sul confirma foco de gripe aviária em aves silvestres

Serviço Veterinário do Estado reforçou a vigilância e as ações de prevenção nas criações de subsistência da região

Guerra no Oriente Médio pode impactar até 40% das exportações de carne bovina

Pecuária

Guerra no Oriente Médio pode impactar até 40% das exportações de carne bovina

Sem linha marítima direta para a Ásia, a guerra no Oriente Médio também afeta as exportações de carne bovina ao continente

PUBLICIDADE

Pecuária

Crise no Oriente Médio afeta logística de exportação de frango do Brasil

ABPA monitora cenário e mantém embarques confirmados enquanto rotas como Suez e Ormuz seguem fechadas

Pecuária

Brasil investiga 2 suspeitas de influenza aviária em aves não comerciais

Investigações surgem após Argentina e Uruguai anunciarem novos casos da doença 

Pecuária

Espanha notifica OMS sobre possível caso de gripe suína em humano

Idoso infectado já se recuperou e autoridades consideram como ‘muito baixo’ o risco à população

Pecuária

Feira gaúcha registra novo recorde nacional de produção leiteira

Cabanha de Boa Vista do Incra conquista marcas inéditas com vacas que superam 60kg de leite em 24h

Logo Agro Estadão
Bom Dia Agro
X
Carregando...

Seu e-mail foi cadastrado!

Agora complete as informações para personalizar sua newsletter e recebê-la também em seu Whatsapp

Sua função
Tipo de cultura

Bem-vindo (a) ao Bom dia, Agro!

Tudo certo. Estamos preparados para oferecer uma experiência ainda mais personalizada e relevante para você.

Mantenha-se conectado!

Fique atento ao seu e-mail e Whatsapp para atualizações. Estamos ansiosos para ser parte do seu dia a dia no campo!

Enviamos um e-mail de boas-vindas para você! Se não o encontrar na sua caixa de entrada, por favor, verifique a pasta de Spam (lixo eletrônico) e marque a mensagem como ‘Não é spam” para garantir que você receberá os próximos e-mails corretamente.