Economia
Piscicultura brasileira ultrapassa 1 milhão de toneladas em 2025
Exportações de peixe de cultivo subiram em valor e caíram em volume no ano passado
Redação Agro Estadão
25/02/2026 - 10:05

A Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR) apresentou nessa terça-feira, 24, o Anuário da Piscicultura Peixe BR 2026. De acordo com o levantamento, o Brasil produziu no ano passado 1,01 milhão de toneladas de peixes de cultivo. O crescimento em relação a 2024 é de 4,41%.
“Com esse número, somos o maior produtor de peixes de todas as Américas”, disse o presidente da Peixe BR, Francisco Medeiros, no evento de apresentação do anuário.
Entre os Estados produtores de peixe de cultivo no geral, os cinco principais são:
- Paraná, com 273,1 mil toneladas;
- São Paulo, com 93,7 mil toneladas;
- Minas Gerais, com 77,5 mil toneladas;
- Santa Catarina, com 63,4 mil toneladas;
- Maranhão, com 59,6 mil toneladas.
Entre as espécies, a tilápia continua sendo o destaque com mais de 707,4 mil toneladas produzidas, um aumento de 6,83% na comparação com o mesmo período anterior. A produção de peixes nativos chegou a 257 mil toneladas, representando um recuo de 0,63%. Demais espécies somaram 46,9 mil toneladas, queda de 1,75%.
Nós nunca tivemos na história do Brasil uma arrancada [da produção] de uma espécie de proteína animal em 10 anos como a gente observou no caso da tilápia”, comentou Medeiros ao lembrar do aumento no volume de tilápia desde 2015. Naquele ano, o Brasil registrou 285 mil toneladas desse peixe, um crescimento de 148,2% em 2025.
No entanto, os peixes nativos cultivados, como o tambaqui e tambatinga, já registram o terceiro ano de queda. De acordo com o levantamento, essa tendência é explicada por alguns fatores, como um mercado mais restrito e concentrado nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, a falta de uma industrialização e a necessidade de intensificar avanços tecnológicos para esses cultivos.
Exportações crescem apesar de tarifa norte-americana
Quanto às exportações brasileiras ligadas à piscicultura, houve um crescimento de 2% no faturamento registrado, chegando a US$ 60 milhões em 2025. O volume, no entanto, caiu 1%, somando 13,6 mil toneladas embarcadas.
“Mesmo em um ano que tivemos o tarifaço dos Estados Unidos, haja vista que mais de 90% das nossas exportações foram para os Estados Unidos, nós tivemos um resultado positivo. Mas por que isso aconteceu? Porque, no início de 2025, o planejamento, seja das indústrias, seja do setor, era que teríamos o ano como o maior exportador de filé fresco para os Estados Unidos. E terminamos o primeiro semestre praticamente empatados com a Colômbia, que está em primeiro, mas com o tarifaço a gente acabou reduzindo”, indicou o presidente da Peixe BR.
A tilápia respondeu por 92% do volume exportado. Somente o filé congelado de tilápia teve um salto de 421%. Além disso, o México se tornou o quinto principal mercado desse peixe. Os demais mercados, em ordem de importância, foram Estados Unidos, Canadá, Japão e China.
Mudança na tarifa
Depois da decisão da Suprema Corte norte-americana de derrubar as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump, o presidente dos Estados Unidos oficializou nessa terça-feira a tarifa global de 10% sobre uma série de produtos. Apesar disso, esse movimento é comemorado pelo setor de pescado, já que na prática houve uma redução dessa tarifa, que antes chegava a 50% no caso dos pescados.
“Com a retomada da tarifa para 10% e como nós temos um produto que é o filé fresco, caindo a tarifa hoje, amanhã eu já estou exportando, porque o produto eu tiro da água e em 48 horas eu estou entregando lá, então abre uma oportunidade muito grande”, disse Medeiros a jornalistas após a apresentação do anuário.
Na avaliação dele, os exportadores de peixe brasileiros saem “mais fortalecidos”. Isso porque, antes do tarifaço, a visão dos compradores norte-americanos sobre os vendedores brasileiros não era de confiança. Porém, os meses com as alíquotas adicionais inverteram essa imagem. Além disso, ele destacou ser preciso ampliar os mercados da piscicultura brasileira.
“Um dos aprendizados que fica é que nós temos que procurar principalmente mercados da América Latina”, comentou o presidente.
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