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Economia

Aliança Agrícola nega recuperação judicial e diz que paralisação é temporária

Empresa afirma que segue ativa e aguarda decisão da Justiça sobre pedido de suspensão de cobranças; advogada orienta produtores

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Paloma Santos | Brasília | paloma.santos@estadoa.com

30/01/2026 - 17:43

Empresa paralisou as atividades e demitiu 300 funcionários neste mês. Foto: Divulgação/Aliança Agrícola
Empresa paralisou as atividades e demitiu 300 funcionários neste mês. Foto: Divulgação/Aliança Agrícola

A Aliança Agrícola do Cerrado afirmou, em nota enviada nesta sexta-feira, 30, que não está em recuperação judicial e que a suspensão de suas atividades é temporária. 

Conforme o Agro Estadão mostrou, a empresa demitiu, neste mês, mais de 300 funcionários e pagou R$ 114 milhões a investidores, após a execução de garantias previstas em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs). 

CONTEÚDO PATROCINADO

Além disso, produtores rurais com contratos em aberto relatam o não recebimento de qualquer tipo de retorno pelos canais de comunicação da Aliança e as unidades encontram-se fechadas.

A trading do agronegócio controlada pelo grupo russo Sodrugestvo enfrenta uma crise financeira e um imbróglio jurídico com credores no Brasil. A empresa fez um pedido de proteção judicial para suspender por 60 dias as cobranças e execuções de dívidas. O passivo é estimado em mais de um bilhão de reais com credores, que vão de bancos a produtores rurais com travas de armazenamento de grãos.

Segundo a empresa, a medida cautelar “faz parte do processo de reestruturação e retomada da continuidade da operação”. A Aliança diz que segue ativa, com diretoria em exercício e estrutura organizacional dedicada à reorganização do negócio

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A empresa confirmou que promoveu uma paralisação operacional temporária, adotada “de forma responsável diante do contexto desafiador do mercado nacional e internacional de grãos”. De acordo com a nota, a companhia avalia alternativas para a retomada das atividades e afirma que “manutenções preventivas em suas plantas de esmagamento continuam a todo vapor”.

A Aliança também explicou o silêncio institucional recente. Segundo o comunicado, a postura decorreu da expectativa de uma decisão judicial célere no âmbito da medida cautelar e de uma estratégia voltada à preservação das negociações em curso. A empresa citou ainda que, desde 2025, o setor enfrenta “volatilidade de preços, compressão de margens, restrição de liquidez e juros elevados”, cenário que teria levado à paralisação temporária.

Sobre os trabalhadores, a companhia afirmou que priorizou a proteção dos colaboradores e manteve diálogo com lideranças sindicais. A nota menciona que a medida buscou preservar o bem-estar de “aproximadamente 400 famílias”.

Em relação aos credores, a empresa negou favorecimento aos investidores. “Os recursos destinados ao pagamento de instituições financeiras já estavam legalmente garantidos, ou seja, já na posse das instituições financeiras”, diz o texto. Segundo a companhia, os pagamentos respeitaram contratos e dispositivos jurídicos vigentes, sem prejuízo das demais negociações.

Por fim, a Aliança informou manter atualmente uma estrutura com cerca de 60 profissionais dedicados à reestruturação e à retomada das operações “o mais rápido possível”. A empresa afirmou ainda que seu quadro executivo é formado por profissionais com longa trajetória no setor agrícola e que os perfis seguem disponíveis publicamente.

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Orientação jurídica para produtores 

Para produtores rurais com valores a receber da Aliança Agrícola, a advogada Magna Damazio, especialista em Direito Bancário, orienta a análise detalhada dos contratos firmados com a empresa e a avaliação de medidas judiciais em caso de descumprimento.

“Se houve contrato entre as partes e a Aliança não cumpriu o que estava previsto, o produtor pode entrar com uma execução, desde que fique caracterizada a quebra de contrato”, afirmou. Segundo ela, é essencial verificar se houve falha na venda de grãos, no repasse de valores ou no cumprimento de outras obrigações contratuais.

A advogada destaca que o fato de a empresa afirmar que não está em recuperação judicial altera o cenário para os credores. “Quando uma empresa entra em recuperação judicial, as execuções ficam suspensas e os credores precisam aguardar um plano de pagamento. Se a Aliança não está em recuperação, isso é positivo para quem tem valores a receber”, disse.

Nesse caso, segundo Magna Damazio, os produtores não precisam se submeter a uma lista de credores nem a um plano coletivo. “Eles terão de volta aquilo que está previsto no contrato por meio de uma execução judicial, justamente porque houve quebra contratual”, afirmou.

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