PUBLICIDADE

Economia

Carne bovina: setor prevê impacto bilionário com tarifaço

Abiec calcula que o país deixe de exportar, neste ano, 200 mil toneladas de carne bovina aos EUA, perda de cerca de US$ 1 bilhão

Nome Colunistas

Paloma Santos | Brasília | paloma.santos@estadao.com

30/07/2025 - 18:54

Carne brasileira é insumo para a produção de hambúrgueres nos EUA | Foto: Adobe Stock
Carne brasileira é insumo para a produção de hambúrgueres nos EUA | Foto: Adobe Stock

A imposição de tarifas pelos Estados Unidos à carne bovina brasileira, confirmada nesta quarta-feira, 30, preocupa o setor produtivo e pode gerar prejuízo de até US$ 1 bilhão em 2025, segundo o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa. A medida afeta diretamente as exportações para o segundo maior mercado do Brasil e pode inviabilizar os embarques.

Apesar da exclusão da carne da lista de exceções divulgada nesta semana, Perosa defende a continuidade das negociações entre os dois países. “Vamos dialogar com o governo federal, com os governos estaduais também e ver o que é possível fazer para amenizar o impacto para o setor da carne bovina brasileira”, disse. “A gente aposta ainda que haja uma negociação entre os governos, para que a gente possa retomar o fluxo normal de comércio”.

CONTEÚDO PATROCINADO

No caso das carnes, a alíquota será ainda maior do que outros produtos. Hoje, o setor já é taxado em cerca de 36% e terá a incidência de 40% adicionais, que devem entrar em vigor em 6 de agosto. Mesmo assim, frigoríficos já haviam interrompido a produção voltada aos Estados Unidos.

Segundo a Abiec, as exportações de carne bovina cresceram 27,1% no primeiro semestre, totalizando US$ 7,23 bilhões — aumento de 27,1% em relação ao mesmo período de 2024 (US$ 5,68 bi). Foram embarcadas 1,47 milhão de toneladas nos seis primeiros meses do ano, alta de 13,4%. A média mensal de embarques no semestre é de aproximadamente 245 mil toneladas.

A estimativa da entidade é de que o país deixe de exportar, neste ano, 200 mil toneladas de carne bovina aos Estados Unidos, o que representa cerca de US$ 1 bilhão em perdas. “Essa taxação inviabiliza a exportação de carne bovina para os Estados Unidos”, disse.

PUBLICIDADE

Perosa afirmou que, neste momento, não há mercados capazes de substituir o norte-americano em curto prazo. “As alternativas são distribuir isso ao redor do mundo. Mas não há nenhum mercado com tanta especificação quanto o americano e com a rentabilidade também que o mercado americano dá à carne bovina brasileira. Então, não há um substituto imediato”, declarou.

Sobre o possível impacto interno, explicou que os cortes exportados aos EUA têm baixo consumo no Brasil. “É praticamente o dianteiro do boi, recortes do dianteiro bovino, que não têm tanto consumo no Brasil”, afirmou. Segundo ele, o recuo do preço no mercado interno pode causar um desarranjo na cadeia bovina brasileira, com a queda do preço da arroba do boi e de vários insumos.

O gestor destacou ainda que a carne que o Brasil vende aos Estados Unidos é basicamente insumo para fazer hambúrgueres e que o país norte-americano vive o seu menor ciclo pecuário dos últimos 80 anos. “A venda de carne bovina brasileira aos Estados Unidos é uma complementariedade à produção americana”, acrescentou. 

Caso as negociações fracassem, a entidade pretende buscar novos destinos, como Japão, Coreia do Sul e Turquia.

Mercado deve ter prejuízo inicial, mas expectativas para o futuro são positivas

A analista e diretora da Agrifatto, Lygia Pimentel, afirma que o mercado global de carne bovina tende a se reorganizar diante das novas tarifas contra o Brasil. Segundo ela, mesmo com a saída dos EUA como compradores, o Brasil não ficará com excesso de oferta. “O mercado vai se rearranjar. O Brasil não vai deixar de exportar essa carne. Ela não vai ficar sobrando.”

PUBLICIDADE

Apesar das perdas no curto prazo, ela projeta que novos compradores devem surgir. “Talvez a gente realmente embarque pra Argélia, Egito, a própria China, porque hoje o Brasil é a arroba mais barata do mundo, é a carne mais barata do mundo.”

Segundo a Abiec, entre os principais mercados no semestre, a China liderou com 641,1 mil toneladas e US$ 3,22 bilhões em compras, um aumento de 28,2% em valor na comparação com o mesmo período do ano anterior. Os Estados Unidos aparecem na sequência, com 181,5 mil toneladas e US$ 1,04 bilhão, alta de 102%. O Chile importou 58,9 mil toneladas, com receita de US$ 315,5 milhões (+37,4%). O México comprou 52 mil toneladas, totalizando US$ 276,3 milhões, crescimento expressivo de 235,7%.

Lygia reconhece que a notícia é negativa, especialmente pela quebra de confiança com um parceiro comercial tradicional. E conclui destacando que o Brasil poderá sofrer perdas de receita no curto prazo, redirecionando sua produção para mercados que pagam menos. “A gente vai sofrer um pouco em preço. Os países que a gente tem para redirecionar essa carne são países que pagam um pouco menos do que a média. São países mais de commodities”, acrescenta

Siga o Agro Estadão no WhatsApp, Instagram, Facebook, X, Telegram ou assine nossa Newsletter

PUBLICIDADE

Notícias Relacionadas

Acordo Mercosul-UE começa a valer provisoriamente em maio 

Economia

Acordo Mercosul-UE começa a valer provisoriamente em maio 

Estimativas apontam alta de até 19,7% nas exportações do agronegócio, enquanto tarifas começam a ser reduzidas

Trégua no Oriente Médio leva alívio aos mercados, mas agro ainda vê cenário incerto

Economia

Trégua no Oriente Médio leva alívio aos mercados, mas agro ainda vê cenário incerto

Petróleo cai forte e arrasta soja e milho após anúncio de Donald Trump; Irã nega negociações

Em apenas 2 meses, Brasil já preencheu 33,6% da cota anual de carne bovina para a China

Economia

Em apenas 2 meses, Brasil já preencheu 33,6% da cota anual de carne bovina para a China

Como adiantado pelo Agro Estadão, se o País mantiver o ritmo atual de embarque, a cota será liquidada antes do fim do terceiro trimestre

China restringe exportações de fertilizantes e combustíveis

Economia

China restringe exportações de fertilizantes e combustíveis

Ação de Pequim amplia o risco global de desabastecimento em meio à guerra no Oriente Médio

PUBLICIDADE

Economia

Caminhoneiros: estado de greve continua; entidades devem se reunir com Boulos

Decisão da categoria transfere avaliação para a próxima semana, com negociações sobre diesel, frete e piso mínimo

Economia

Governo adia reunião e posterga decisão sobre aumento do biodiesel no diesel

Agenda segue sem nova data, enquanto setor produtivo pressiona por B17 em meio à escalada do petróleo no mercado internacional

Economia

Lucro da MBRF cai 91,9% e atinge R$ 91 milhões no 4º trimestre de 2025

Empresa reporta que desempenho reflete alta nas despesas financeiras e impactos da fusão e reestruturação

Economia

Governo endurece regras do frete; agro alerta para distorções e alta de custos

Segundo o ministro dos transportes, foram identificados 15 mil infratores da lei do frete mínimo, somando 40 mil registros até janeiro

Logo Agro Estadão
Bom Dia Agro
X
Carregando...

Seu e-mail foi cadastrado!

Agora complete as informações para personalizar sua newsletter e recebê-la também em seu Whatsapp

Sua função
Tipo de cultura

Bem-vindo (a) ao Bom dia, Agro!

Tudo certo. Estamos preparados para oferecer uma experiência ainda mais personalizada e relevante para você.

Mantenha-se conectado!

Fique atento ao seu e-mail e Whatsapp para atualizações. Estamos ansiosos para ser parte do seu dia a dia no campo!

Enviamos um e-mail de boas-vindas para você! Se não o encontrar na sua caixa de entrada, por favor, verifique a pasta de Spam (lixo eletrônico) e marque a mensagem como ‘Não é spam” para garantir que você receberá os próximos e-mails corretamente.