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Agropolítica

Abrafrutas teme efeito de tarifa e não descarta pedir apoio federal

Exportadores de manga estão com 2,5 mil contêineres para exportar aos EUA a partir de agosto; redirecionamento de carga é visto como inviável

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Sabrina Nascimento | São Paulo | sabrina.nascimento@estadao.com

22/07/2025 - 16:30

Produtores de manga do Vale do São Francisco veem cenário de incertezas para os próximos dias - Foto: Adobe Stock
Produtores de manga do Vale do São Francisco veem cenário de incertezas para os próximos dias - Foto: Adobe Stock

Diante do efeito dominó que a tarifa norte-americana pode causar ao setor, a Associação Brasileira de dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) não descarta solicitar uma linha emergencial de socorro ao governo federal, assim como fez o setor de pescados. “Essa possibilidade está sendo avaliada”, afirmou Guilherme Coelho, presidente da Abrafrutas, ao Agro Estadão. 

Segundo o dirigente, cerca de 2,5 mil contêineres já estão reservados para exportar manga aos Estados Unidos. Esse volume está programado pelos produtores de frutas do Vale do São Francisco, maior polo de fruticultura do país, que enxergam um cenário de incerteza nos próximos dias. 

CONTEÚDO PATROCINADO

Coelho disse esperar pela conclusão de uma negociação entre os governos brasileiro e norte-americano. No entanto, relatou a situação delicada dos produtores de manga. “O que nos aflige é que a nossa safra de manga pros Estados Unidos é bastante definida. Ela começa agora na primeira semana de agosto e vai até o final de outubro. É tipo um tiro curto, onde a gente se organiza para exportar 2,5 mil contêineres de manga”, explicou. 

Ele informa que, até o final de julho, quem fornece manga para os EUA é o México. O país abastece o mercado por cerca de três meses — o chamado período da safra mexicana — e, em seguida, sai do mercado. “Aí entra o Brasil”, afirma. “Isso acontece porque um país não concorre diretamente com o outro. Você produz antes, eu produzo depois. Depois, parece que entra a África do Sul. Cada hora, um país assume o fornecimento, porque os EUA não são um grande produtor de manga”, reitera. 

Segundo ele, além dos contêineres reservados, os exportadores já compraram as caixas e pallets para exportar a fruta. Do outro lado, os importadores estão esperando a entrega dos produtos. Contudo, com a incerteza, Coelho relata que o mercado está parado. “Estão todos esperando para ver o que vai acontecer porque tudo é possível, inclusive nada”, salientou. 

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Coelho salienta ainda que, não vê possibilidade de redirecionar essa produção para outros mercados, uma vez que a manga exportada aos EUA é a variedade Tommy Atkins, pouco aceita em outros países. Há também a especificidade das embalagens utilizadas. “Por exemplo, a embalagem das caixas onde as mangas serão acondicionadas são padronizadas pelos importadores dos Estados Unidos, então elas não servem para envio à Europa. Por isso, seria necessário agora produzir embalagens específicas e na Europa não tem o hábito ou o comportamento de consumir esse tipo de manga”, destaca. 

A possibilidade de deixar a fruta no mercado interno também é descartada. “Muita fruta no mercado interno vai fazer o preço despencar, será uma oferta descontrolada. Eu até temo que, em alguns casos, nem valha a pena colher. Isso pode representar um prejuízo enorme para produtores e exportadores, sejam pequenos, médios ou grandes. Existe também o risco de a manga acabar ficando no pé, sem ser colhida, gerando um grande desperdício de alimento”, indica. 

Exclusão dos alimentos das tarifas

Uma frente defendida pela Abrafrutas é a exclusão dos alimentos das tarifas norte-americanas. “Eu estou defendendo essa tese porque acredito que, em uma negociação, que certamente vai acontecer, os alimentos não deveriam ser taxados”, defende Guilherme. 

De acordo com ele, por ser essencial ao ser humano, os alimentos, principalmente os perecíveis, devem ser defendidos nas negociação, para que fiquem de fora da taxação. “Em um mundo que enfrenta insegurança alimentar, com muita gente sem acesso digno às refeições diárias, taxar alimentos é um erro. Por isso, estou levantando essa bandeira”, afirmou. 

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