Agropolítica
Líderes do Mercosul vão decidir se adiam ou não assinatura do acordo com União Europeia
O ministro da Agricultura e Pecuária brasileiro, Carlos Fávaro, criticou medidas de salvaguardas: “Se é para ser assim, melhor não fazer”
Daumildo Júnior | Brasília | daumildo.junior@estadao.com
18/12/2025 - 15:02

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, disse que vai apresentar aos líderes do Mercosul uma proposta da Itália de adiar a assinatura do acordo comercial do bloco com a União Europeia. Segundo Lula, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, pediu “no máximo um mês” para resolver a questão interna com os agricultores.
“Na conversa, ela ponderou para mim que não é contra o acordo. Ela apenas está vivendo um certo embaraço político por conta dos agricultores italianos, mas que ela tem certeza que é capaz de convencê-los a aceitar o acordo. E ela então pediu que, se a gente tiver paciência de uma semana, de dez dias, de no máximo um mês, a Itália estará junto com o acordo”, disse o presidente, após comentar a ligação à primeira-ministra feita nesta quinta-feira, 18.
Lula afirmou que já tinha conversado com os franceses, mas a “novidade” para ele foi a posição contrária da Itália anunciada nos últimos dias. Por isso, fez a ligação para Meloni. A proposta de prorrogação do acordo será apresentada e deliberada durante a Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, em Foz do Iguaçu (PR), no próximo dia 20. “Eu disse para ela que vou colocar o que ela me falou na reunião do Mercosul e vou propor aos companheiros para eles decidirem o que querem fazer”, completou.
As declarações foram dadas pelo presidente durante café com jornalistas realizado no Palácio do Planalto, em Brasília (DF). Lula ainda ressaltou que a data do dia 20 de dezembro foi um pedido feito pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa.
“Nas conversas e tratativas que nós tivemos com a União Europeia, eles assumiram o compromisso de que este ano a gente fecharia o acordo UE-Mercosul. Da parte do Mercosul, está tudo resolvido. O Mercosul está 100% disposto a fazer o acordo, mesmo não ganhando tudo que a gente queria ganhar. O acordo é mais favorável à União Europeia do que a nós. E nós dissemos a eles que esse acordo é extremamente importante do ponto de vista político”, destacou.
Ministro faz críticas
O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, comentou sobre as medidas de salvaguardas que avançaram nos últimos dias na União Europeia. O ministro criticou os gatilhos que os europeus estão propondo com relação às vendas de produtos agropecuários vindos do Mercosul.
“É importante dizer que esse acordo é muito mais benéfico à União Europeia do que ao próprio Mercosul. E, ainda assim, naquilo que somos mais competitivos, eles querem colocar uma salvaguarda e a proposta é que seja uma salvaguarda com variação de 5%. Se o preço das commodities agrícolas subir mais que 5%, para a exportação. Se a venda dos produtos do Mercosul para a União Europeia ultrapassar 5%, paralisa”, disse Fávaro.
O ministro foi questionado sobre o tema após um evento no Mapa também nesta quinta-feira, 18. Ele ainda acrescentou que essa oscilação é normal no comércio internacional, o que dificultaria a operacionalização do acordo. “Quer dizer, 5% em commodities é uma variação normal do dia a dia das commodities? Então, não querem fazer um acordo para que o comércio seja livre e eficiente. Se é para ser assim, melhor não fazer”, concluiu.
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