Agropolítica
Agro e Lula: “clima não é de paixão total, mas nada resiste ao trabalho”, diz Fávaro
Ministro da Agricultura articulou encontro do presidente Lula com produtores de frutas e sucos na Granja do Torto, num movimento de aproximação com o setor
Fernanda Farias | fernanda.farias@estadao.com | Atualizada às 10h26
22/03/2024 - 03:01

Cerca de 60 pessoas de onze estados brasileiros do setor de frutas e sucos participaram de um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na noite desta quinta-feira, 21, na Granja do Torto, em Brasília. “A gente quer trazer o setor para se aproximar do presidente”, disse o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, na chegada.
Fávaro avaliou que o clima entre o agronegócio brasileiro e o presidente Lula já melhorou muito desde o início do governo, quando ele foi “desconvidado” para uma importante feira agropecuária no interior de São Paulo.
“Nós não estamos num nível de paixão total, mas já há um grande reconhecimento de que, primeiro, muitos dos temores plantados no período de campanha eleitoral eram mentira, eram fake news”, disse o ministro. “Nada resiste ao trabalho (…) o presidente é comprometido com esse setor, sim, por ações, não por discurso”, completou.
Além de defender a imagem do presidente Lula diante do agronegócio, o ministro Carlos Fávaro atua como articulador das reuniões com os representantes dos setores produtivos. Depois da fruticultura, devem participar os setores do café, algodão, floresta plantada e bioinsumos. Os encontros serão a cada semana ou a cada 15 dias, segundo Fávaro.
Na reunião desta quinta, participaram também o vice-presidente, Geraldo Alckmin, além dos ministros Rui Costa (Casa Civil), Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário) e Márcio Macêdo (Secretaria-Geral).
Setor pediu medidas para fortalecimento da produção e da exportação
O diretor da Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (Citrus BR), Ibiapaba Netto, contou que a reunião foi em clima descontraído e que todos foram receptivos com as demandas. “Tratamos de acesso a mercados, especialmente aos Estados Unidos, do acordo Mercosul-União Europeia, questões de sanidade, necessidade de formalização de mão de obra, entre outros temas”, disse ao Agro Estadão.
Durante a reunião, Netto, que também é presidente da Câmara Setorial da Citricultura, entregou ao presidente Lula um documento com as principais demandas, entre elas a necessidade de formar um grupo de trabalho dentro do Mapa para o combate ao greening, a principal doença da citricultura.
Pela cadeia de frutas, alguns produtores conversaram diretamente com o presidente Lula, o vice e os ministros. O presidente da Associação Brasileira de Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), Guilherme Coelho, falou da importância de fortalecer o segmento no comércio mundial, já que o Brasil é o terceiro maior produtor de frutas, mas ocupa apenas a 24ª posição no ranking das exportações.
“As demandas são, cada vez mais, abrir mercados. Depois, temos um problema fitossanitário, que é a mosca da fruta”, afirmou. Entre as solicitações do setor, destaca-se o aumento de recursos para a subvenção do seguro agrícola para frutas e o fortalecimento do programa nacional de combate à mosca das frutas.
Em 2023, as exportações de frutas atingiram patamar recorde, com US$ 1,3 bilhões e volume de 1,1 milhão de toneladas. Os principais destaques são: mangas (US$ 314,4 mi); melões (US$ 189 mi); uvas (US$ 185 mi); limões e limas (US$ 174 mi); e conservas e preparações de frutas (US$ 116 mi), sem contar sucos.
Ainda, segundo a Abrafrutas, a fruticultura teve superávit nas exportações de quase 27% e o setor responde por 16% de toda a mão de obra do agronegócio.
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