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Agropolítica

Já imaginou tomar um choque por causa de um peixe?

Do radar à defesa, peixes-elétricos usam bioeletricidade para caçar, navegar e se comunicar nas águas turvas

Nome Colunistas

Redação Agro Estadão*

01/12/2025 - 05:01

Foto: Leandro Lousa-UFPA/Agência FAPESP
Foto: Leandro Lousa-UFPA/Agência FAPESP

Imagine encontrar um peixe capaz de gerar eletricidade suficiente para alimentar uma lâmpada ou causar um choque oito vezes mais forte que uma tomada doméstica. Esta não é ficção científica, é a realidade dos peixes-elétricos amazônicos. 

A Amazônia abriga a maior diversidade de peixes-elétricos do planeta, com mais de 250 espécies catalogadas. Esses animais desenvolveram sua capacidade bioelétrica para múltiplas funções: defesa contra predadores, caça de presas, navegação em águas turvas e comunicação intraespecífica. 

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Além disso, pesquisadores continuam descobrindo novas espécies, revelando a riqueza ainda inexplorada destes ecossistemas aquáticos.

Poraquê, o peixe-elétrico da Amazônia e suas descargas impressionantes

Peixe-elétrico da Amazônia; poraquê
Foto: Leandro Lousa-UFPA/Agência FAPESP

A região amazônica concentra a maior variedade de peixes-elétricos do mundo, desde espécies de pequeno porte com descargas fracas até o imponente poraquê. 

O Poraquê (Electrophorus electricus) representa o mais conhecido entre estes animais, habitando rios, igarapés e várzeas da bacia amazônica. Este peixe pode atingir 2,5 metros de comprimento e pesar até 20 quilos.

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Sabe-se que eles têm comportamentos surpreendentes, incluindo caça coletiva. Grupos de até 100 indivíduos se coordenam para capturar cardumes, demonstrando inteligência social inédita nestes animais.

Um estudo divulgado em 2019 identificou que o peixe-elétrico conhecido como poraquê não pertence a uma única espécie, como se acreditava, mas a pelo menos três. Entre as novas espécies descritas, uma delas se destaca por emitir a maior descarga elétrica já registrada em um animal, alcançando 860 volts.

A pesquisa contou com apoio da FAPESP, da Smithsonian Institution e da National Geographic Society, entre outras instituições (no vídeo abaixo há mais detalhes do estudo).

Esta potência elétrica equivale a quase quatro vezes a voltagem de uma tomada residencial brasileira (220V).

O habitat preferencial do poraquê inclui águas com baixa condutividade elétrica, como rios de águas pretas e claras da Amazônia. Estes ambientes potencializam a eficácia de suas descargas. 

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O animal prefere águas rasas e áreas com vegetação aquática densa, onde encontra abrigo e presas. Durante o período reprodutivo, constrói ninhos em forma de taça usando plantas aquáticas, demonstrando comportamento parental complexo.

Como o peixe-elétrico gera eletricidade e sua função

Os eletrócitos, células musculares modificadas, constituem o mecanismo gerador de eletricidade nos peixes-elétricos. 

Essas células se organizam em pilhas verticais dentro de órgãos elétricos especializados, localizados na região posterior do corpo do animal. Cada eletrócito funciona como uma pequena bateria biológica.

O processo inicia quando impulsos nervosos estimulam simultaneamente milhares de eletrócitos. A membrana celular se despolariza rapidamente, criando diferenças de potencial elétrico. 

As células conectadas em série amplificam a voltagem, enquanto as conexões em paralelo aumentam a corrente elétrica. Este sistema permite ao poraquê controlar tanto a intensidade quanto a duração das descargas.

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A funcionalidade da bioeletricidade abrange quatro aspectos principais. Para caça, o poraquê emite descargas de alta voltagem que paralisam ou matam presas instantaneamente. 

Como defesa, utiliza choques para afugentar predadores ou ameaças. Na navegação, campos elétricos de baixa intensidade funcionam como radar biológico, permitindo orientação em águas turvas. 

Para comunicação, diferentes padrões de descargas transmitem informações sobre territorialidade, acasalamento e hierarquia social.

O que fazer se encontrar um peixe-elétrico?

Os rios onde vivem algumas espécies de poraquê têm águas translúcidas percurso acidentado. Foto: David de Santana-Smithsonian/Agência FAPESP

O choque do poraquê causa contrações musculares involuntárias, desorientação e possível paralisia temporária. 

Segundo artigo da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (SOBRASA), a descarga pode provocar quedas, dificultando a permanência em pé na água. O maior risco ocorre pelo afogamento subsequente ao choque, especialmente em águas profundas.

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A prevenção constitui a melhor estratégia de segurança. Evite banhos em locais conhecidos pela presença de poraquês, principalmente durante a época reprodutiva (dezembro a março). 

Use calçados de borracha ao caminhar em águas rasas. Pescadores devem manusear redes com bastões isolantes e nunca tocar o peixe com as mãos desprotegidas.

Em caso de choque, a vítima deve ser retirada imediatamente da água por terceiros usando materiais isolantes. 

O atendimento médico deve ser procurado mesmo em casos aparentemente leves, pois complicações cardiovasculares podem surgir tardiamente. Não tente reanimar a vítima enquanto ela permanecer na água, para evitar choques secundários.

Os peixes-elétricos desempenham papel fundamental no equilíbrio dos ecossistemas aquáticos amazônicos. Como predadores de topo, controlam populações de peixes menores e invertebrados aquáticos. 

Sua presença indica a saúde dos ambientes aquáticos, funcionando como bioindicadores ambientais.

*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação Agro Estadão

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