Agropolítica
Votação do fim da jornada 6x1 pode ficar para depois das eleições
Entidades afirmam apoiar a modernização da jornada de trabalho, mas defendem mais debate sobre o tema
Redação Agro Estadão*
04/03/2026 - 13:46

A votação sobre o fim da jornada 6×1 pode ser adiada para depois das eleições ou até o próximo ano. O pedido consta de um manifesto assinado por 93 entidades do setor, do agronegócio à indústria, que foi protocolado e entregue ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) na tarde desta terça-feira, 03.
As entidades empresariais que, juntas, formaram a Coalizão de Frentes Produtivas, têm receio de que as eleições atrapalhem o debate e pressionem os parlamentares a se posicionar favoravelmente ao tema, sem uma discussão aprofundada. “Precisamos passar que querem que a gente vote uma narrativa eleitoral. O cidadão não vai querer essa proposta quando descobrir que o alimento vai ficar mais caro, o combustível, tudo. Precisamos ser responsáveis com o nosso país e precisamos deixar isso para depois da eleição”, disse o presidente da Frente Parlamentar Mista do Empreendedorismo, deputado Joaquim Passarinho (PL-PA).
As entidades do agronegócio também defendem o debate aprofundado do tema. “Queremos uma discussão sustentável e estruturada. A intenção é trazer unicidade à discussão. Estamos juntos para amadurecer e buscar espaço e alternativas com racionalidade”, disse a presidente do Instituto Pensar Agropecuária (IPA), Tania Zanella.
“Há uma enorme preocupação com este ano. [Temos que] trabalhar para que isso não entre em votação, porque se entrar em votação não tem como segurar. Agora é trabalho de bastidor com líderes partidários e presidente da Câmara dos Deputados para que isso não entre em pauta”, defendeu o presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg), Dyogo Oliveira.
Durante a reunião nesta terça-feira, na sede da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputados e senadores concordaram que a modernização da jornada de trabalho é legítima e relevante, porém exige cautela diante das diferenças setoriais e impactos econômicos.
As entidades defendem, portanto, a manutenção da livre negociação da escala por acordos coletivos e flexibilização entre as partes. O vice-presidente da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Luiz Carlos Bohn, disse que a entidade defende a manutenção da jornada de 44 horas semanais e compensação ou redução por acordo ou convenção coletiva. “Modelos rígidos uniformes desconsideram a realidade e podem aumentar custos e afetar as empresas. A equação econômica é objetiva: se as horas diminuem e o salário é mantido, o custo aumenta”, apontou Bohn.
Impactos no agronegócio
Como mostrado pelo Agro Estadão, setores do agro se manifestaram na última semana contrários à redução de escala de trabalho. A Federação de Agricultura do Paraná (FAEP) estima, caso a medida seja aprovada, que serão necessárias 107 mil novas contratações para manter o atual nível de produção agropecuária do Estado. Isso representaria um incremento de R$ 4,1 bilhões por ano para suprir o “vácuo operacional”, calcula a entidade.
A Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCERGS) calcula que, com a redução da carga horária de 44 para 40 horas, seriam necessárias mais 12.394 novas contratações, a um custo mensal estimado em R$ 74,3 milhões. Já se a carga horária baixar para 36 horas, o número de contratações sobe para 26.664 novas contratações, a um custo de R$ 159,9 milhões mensal.
*com informações do Broadcast Agro
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