Economia
Fim da escala 6x1 pode custar R$ 10,8 bilhões às cooperativas de Santa Catarina
Além da falta de recursos para novas contratações, a OCESC aponta escassez de mão de obra no Estado
Redação Agro Estadão
27/02/2026 - 12:11

A proposta de redução da jornada semanal de trabalho, que deve ser analisada pelo Congresso Nacional neste semestre, pode gerar um impacto de R$ 10,8 bilhões por ano para as cooperativas de Santa Catarina. O levantamento foi realizado pela Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC).
A OCESC explica que, atualmente, as cooperativas catarinenses mantêm 102.402 empregados diretos e que, com a redução da carga horária de 44 para 40 horas, seriam necessárias mais 12.394 novas contratações, a um custo mensal estimado em R$ 74,3 milhões. Já se a carga horária baixar para 36 horas, o cálculo é de que serão necessárias mais 26.664 novas contratações, gerando um custo de R$ 159,9 milhões mensal.
Além da ausência de recursos das cooperativas para investir em novas contratações, a organização explica que o setor enfrentará a falta de mão de obra, um gargalo que vem se agravando no campo. A OCESC acrescenta que, em Santa Catarina, o desemprego ficou em 2,3% no terceiro trimestre de 2025, “caracterizando um regime de pleno emprego”.
“Não existe mão de obra ociosa em nosso Estado. Por isso, os setores da agricultura, comércio e serviços terão dificuldade em contratar novos trabalhadores, o que tornará um desafio manter as linhas de produção, indústrias, lojas, granjas e frigoríficos funcionando”, disse o presidente da OCESC, Vanir Zanatta.
A OCESC ainda destacou que o fim da jornada 6×1 pode prejudicar a seguridade do trabalhador rural. “A informalidade poderá crescer de forma explosiva, porque o aumento do custo formal pode levar a uma migração de postos de trabalho para a informalidade”, afirmou o comunicado.
Nesta semana, como mostrou o Agro Estadão, a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) também se posicionou contrária à proposta da redução da jornada 6×1. Cálculos da entidade mostram um incremento de R$ 4,1 bilhões por ano na atividade do Estado para suprir com a contratação de 107 mil pessoas para manter o atual nível de produção agropecuária.
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