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Economia

China restringe exportações de fertilizantes e combustíveis

Ação de Pequim amplia o risco global de desabastecimento em meio à guerra no Oriente Médio

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Redação Agro Estadão

20/03/2026 - 11:21

Foto: Adobe Stock
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A China intensificou restrições às exportações de fertilizantes e combustíveis, elevando preocupações sobre o abastecimento global em meio à guerra no Oriente Médio. As medidas, embora não anunciadas oficialmente, foram confirmadas por fontes do setor, diplomatas e analistas a agências internacionais. 

Nos últimos dias, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC), principal órgão de planejamento econômico da China, orientou exportadores de fertilizantes a suspender embarques internacionais de algumas linhas de produtos. A decisão segue diretrizes emitidas no início do mês para que grandes refinarias estatais interrompam exportações de combustível de aviação, diesel e querosene.

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Sem comunicação formal de Pequim, o movimento é interpretado pelo mercado como uma tentativa de preservar estoques domésticos de energia e insumos agrícolas diante da incerteza provocada pelo conflito no Oriente Médio. Atualmente, a China é o segundo maior exportador mundial de fertilizantes, atrás apenas da Rússia, e um importante fornecedor de combustíveis. No ano passado, os embarques de fertilizantes do país superaram US$ 13 bilhões.

Na prática, as restrições têm sido aplicadas de forma seletiva. Um funcionário de uma produtora na província de Shandong afirmou ao Financial Times que sua empresa foi orientada a suspender vendas para a Índia, embora alguns envios ao Sudeste Asiático ainda sejam permitidos. Analistas também relatam a ampliação gradual dos controles.

Entre as medidas recentes está a suspensão das exportações de misturas de nitrogênio e potássio e de determinados fertilizantes fosfatados. Com isso, apenas alguns produtos, como o sulfato de amônio, seguem liberados. Estimativas indicam que até metade dos volumes exportados pela China pode estar sob restrição, o equivalente a cerca de 40 milhões de toneladas.

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Para especialistas, o movimento segue um padrão já observado em momentos de tensão global. Desta vez, o impacto ocorre em um momento de maior pressão sobre cadeias logísticas e de insumos. O Estreito de Ormuz, afetado pela guerra, concentra cerca de um terço do transporte marítimo global desses produtos. A dependência de fertilizantes da região é especialmente relevante para países da Ásia e da África.

Os preços já refletem esse cenário. No mercado internacional, a ureia acumula alta de cerca de 40% desde o início da guerra, enquanto, na China, os contratos futuros do produto operam próximos das máximas em dez meses.

O Brasil também pode ser afetado. A China foi o terceiro maior fornecedor de fertilizantes do país em 2025, com participação de 11,5% nas importações, segundo dados do ComexStat. Apesar disso, o impacto tende a ser limitado no curto prazo. “O fertilizante utilizado na safra atual já foi adquirido. Os efeitos devem aparecer nas próximas safras”, afirma Paulo Pavinato, professor da Esalq/USP, à Reuters.

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