Esse texto trata de uma opinião do colunista e não necessariamente reflete a posição do Agro Estadão

Opinião

Marcos Fava Neves: Como estará o Agro brasileiro em 2033? 

O estudo “Agricultural Projections to 2033” aponta as principais previsões para o mercado global do agro na próxima década. E traz boas notícias ao Brasil

2 minutos de leitura

23/02/2024

Painel da bolsa de valores
Foto: Adobe Stock

O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) divulgou o esperado estudo “Agricultural Projections to 2033” apontando as principais previsões para o mercado global do agro na próxima década. Vale ver, são boas as notícias ao Brasil.

No milho, as transações globais devem saltar das atuais 196,3 para 236,4 mi de t até 2033/34 (+ 40,1 mi de t ou + 20,4%). Os principais importadores do cereal em 2033 serão: 1) China com 26,0 mi de t ou 11,0%; 2) México com 23,9 mi de t ou 10,1%; e 3) a União Europeia com 21,1 mi de t ou 8,9%. Já os maiores exportadores serão: 1) o Brasil com 77,5 mi de t ou 32,8% do mercado; 2) Estados Unidos com 63,5 mi de t ou 26,9%; e 3) a Argentina com 45,7 mi de t ou 19,3%. Ou seja, consolidaremos nossa liderança conquistada ano passado.

Na soja, o volume transacionado deve sair de 168,2 mi de t (2023/24) para 221,6 mi de t (2033/34) (+ 53,4 mi de t ou +31,7%). Os principais compradores da soja serão: 1) China com 138,3 mi de t ou 62,4%; 2) União Europeia com 14,3 mi de t ou 6,4%; e 3) México com 7,5 mi de t ou 3,4%. Nos exportadores, os destaques em 2033 serão: 1) Brasil com 133,2 mi de t ou 60,1% do mercado; 2) Estados Unidos com 58,1 mi de t e 26,2% de share; e 3) Argentina com 8,5 mi de t ou 3,8%. O Brasil terá simplesmente 60% do mercado mundial. 

No algodão, o comércio global vai de 11,9 para 14,2 mi de t entre 2023/24 e 2033/34 (+ 2,3 mi de t ou +19,3%). Os principais importadores serão: 1) Bangladesh com 2,9 mi de t ou 20,4%; 2) China com 2,7 mi de t ou 19,0%; e 3) Vietnã com 2,6 mi de t ou 18,3% do mercado. Do lado das exportações, os principais em 2033 serão: 1) Estados Unidos com 4,5 mi de t e 31,7% do mercado; 2) Brasil com 3,9 mi de t e 27,5%; e 3) Austrália com 1,4 mi de t e 9,8% de participação. Ainda confio que estaremos na frente. 

Na carne bovina, temos: os embarques indo de 11,8 (2023) para 13,5 mi de t (2033) (+ 1,7 mi de t ou +14,4%); a China como principal importador em 2033, com 3,9 mi de t ou 28,9% do mercado; e o Brasil como principal exportador com 3,9 mi de t e 28,9% de participação. No frango, as transações irão de 13,5 para 16,7 mi de t (+ 3,2 mi de t ou + 23,7%); México será o grande importador com 1,5 mi de t ou 11,1%; e o Brasil o principal fornecedor, com 6,8 mi de t, com quase 41%. Por fim, no suíno, temos o comércio indo de 9,9 para 12,4 mi de t (+ 2,5 mi de t ou +25,3%); China como principal importador, com 2,6 mi de t ou 21,8%; Estados Unidos como líder nas exportações com 4,2 mi de t ou 33,9% de market share; e o Brasil aparecendo em 3º colocado, com 2,3 mi de t e 18,5% do mercado. Nestes próximos 10 anos o Brasil deve ganhar importantes participações nas carnes, agregando mais valor ainda à nossa produção. 

Após a avaliação dos dados anteriores, é interessante destacar alguns aspectos. A China será o principal importador de milho (11,0%), soja (62,4%), carne bovina (28,9%) e carne suína (21,8%); e o segundo em algodão (19,0%). Já o Brasil será o líder nas exportações de milho (32,8%), soja (60,1%), carne bovina (28,9%) e frango (40,7%); o segundo em algodão (27,5%); e o terceiro em carne suína (18,5%). O USDA não analisa neste relatório todas as cadeias do agro. Até 2033 o Brasil ainda deve manter as lideranças em fumo, papel e celulose, café, suco de laranja, açúcar, entre outras que podem surpreender. E no algodão acho que o USDA vai errar e estaremos também na frente. Enfim, vem uma excelente década à frente, mas temos que torcer pelos Chineses! 

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