Clima
Chuva dá trégua, mas frio continua no Sul do país
No RS, mínimas podem variar entre 0°C e -3 °C em cidades como Bagé, Livramento, Vacaria e São José dos Ausentes
Paloma Santos | Brasília
02/07/2025 - 05:00

Depois das fortes chuvas que atingiram o Rio Grande do Sul e Santa Catarina no fim de semana, o tempo volta a ficar firme, porém, com temperaturas baixas. Segundo a meteorologista Ana Penna, da Tempo OK, a partir desta terça, 1º, uma frente fria avança pelo Atlântico e favorece a entrada de uma massa de ar frio, “que mantém as temperaturas baixas no Centro-Sul do país, principalmente na Região Sul”.
Apesar da diminuição das precipitações, segundo a Defesa Civil, alguns municípios seguem com alerta e risco alto de inundação do rio Guaíba nas Ilhas e Cais de Porto Alegre e risco moderado para regiões ribeirinhas da Lagoa dos Patos. Os alertas valem até as 15h e 15h30, respectivamente, desta quarta, 02.
Mínima de até -3 °C
A entrada de ar polar derruba as mínimas em grande parte do Rio Grande do Sul, com previsão de valores entre 0°C e -3 °C em cidades como Bagé, Livramento, Vacaria e São José dos Ausentes. Em Santa Catarina e sul do Paraná, as mínimas devem variar entre 1 °C e 5 °C, com possibilidade de geada ampla em áreas de maior altitude.
MAPA TEMPERATURAS
Segundo a meteorologista, de quarta, 02, até o domingo, 06, os modelos meteorológicos indicam a formação de uma área de alta pressão em médios e altos níveis da atmosfera sobre o Cone Sul, especialmente entre a Argentina, Paraguai e o Sul do Brasil. “Essa condição, somada ao ar frio e seco já instalado, deve garantir dias com pouca ou nenhuma chuva na maior parte do Centro-Sul do país”, alerta.
Risco de geada
Com a entrada de ar frio, há risco moderado a forte de geadas em áreas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e sul do Paraná. O frio deve ser mais severo nas madrugadas de terça, 02, e quarta-feira, 03. O risco é maior nas regiões de fronteira e na campanha gaúcha, além de áreas altas do Planalto Sul Catarinense, como São Joaquim e Lages.
MAPA DE RISCO DE GEADA
Desirée Brandt, meteorologista da Nottus, destaca que as quedas de temperatura no inverno são esperadas e, em muitos casos, benéficas para a agricultura. Segundo ela, os dois últimos anos não registraram esse frio mais intenso, e 2025 está se mostrando mais favorável nesse aspecto. “Muitas lavouras precisam dessas horas de temperatura bastante baixa — as frutas precisam dessas temperaturas, as lavouras de trigo também”, afirmou.
Apesar das baixas temperaturas, lavouras mantêm ritmo produtivo
Ainda de acordo com Desirée, o frio contribui para reduzir a incidência de pragas e doenças, o que é positivo para o campo. No entanto, áreas com lavouras fora do calendário ideal, como milho plantado tardiamente no Paraná, podem estar mais suscetíveis a perdas com geadas, embora sejam casos pontuais. “Se tem alguma área com o ciclo atrasado, como, por exemplo, alguma lavoura de milho no Paraná, aí sim está suscetível à ocorrência de geada que pode trazer algum prejuízo”, alertou Desirée.
Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Agricultura, o frio trouxe esses efeitos positivos. Conforme o último boletim divulgado pelo departamento, apesar das geadas intensas registradas em diversas regiões do Paraná nos últimos dias, o impacto imediato nas principais culturas do estado foi limitado.
Cerca de 81% das lavouras de trigo estão em fase vegetativa, menos sensível às geadas. Apenas 11% estão em floração e 1% em frutificação, fases mais vulneráveis. A estimativa atual é de uma safra 16% maior que a do ano passado, alcançando 2,6 milhões de toneladas, mesmo com área 27% menor.
Para o milho safrinha, 63% das lavouras já estão em maturação e fora do risco, mas cerca de 1 milhão de hectares ainda estavam em frutificação ou floração no momento das geadas. Mesmo com perdas pontuais, a previsão de produção permanece alta: 16,5 milhões de toneladas, 27% acima do ciclo anterior.
Onda de frio retorna em agosto
Ainda de acordo com a sócia-executiva e meteorologista da Nottus, não há previsão de novos temporais para o Rio Grande do Sul nas próximas semanas. “Muito pelo contrário, nesses primeiros 20 dias de julho, teremos até ausência de chuva, até mesmo no grande parte do Sul do Brasil”, enfatizou. Desirée destaca que a próxima onda de frio forte está prevista somente para o início de agosto.
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