Clima
La Niña perde força e El Niño entra no radar para o segundo semestre
Projeções apontam rápida transição para o período de neutralidade e probabilidade de 57% de ocorrência de El Niño entre julho e setembro
Paloma Santos | Brasília | ´paloma.santos@estadao.com
11/01/2026 - 05:00

A La Niña segue atuando no Oceano Pacífico, mas está em rápida fase de enfraquecimento. Ao mesmo tempo, o El Niño começa a aparecer nas projeções para o início do segundo semestre deste ano. As informações constam no relatório da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), divulgado na quinta-feira, 8, pelo centro climático.
Segundo o documento, há 75% de probabilidade de transição da La Niña para condições neutras entre janeiro e março deste ano. A neutralidade deve predominar até, pelo menos, o fim da primavera no Hemisfério Norte, período que vai até junho.
Em dezembro de 2025, o Pacífico Equatorial ainda apresentava temperaturas abaixo da média, padrão típico da La Niña. O principal indicador do fenômeno, o índice Niño-3.4, ficou em -0,5 grau Celsius, limite que caracteriza um evento fraco.
Outras áreas monitoradas também registraram resfriamento, mas os dados mais recentes mostram aquecimento gradual abaixo da superfície do oceano. Esse sinal costuma anteceder o fim da La Niña e a entrada em neutralidade.
El Niño ganha importância no fim do ano
Para o segundo semestre, o relatório da NOAA também indica probabilidade de 57% de ocorrência do fenômeno no trimestre de julho a setembro, subindo para 61% entre agosto e outubro.
De acordo com a meteorologista Desirée Brandt, sócia-executiva da Nottus, por enquanto o cenário é favorável para o agro neste primeiro semestre. “O relatório ainda mostra condições de La Niña, só que cada vez mais fraca e a tendência é de a neutralidade predominar agora já ao longo desse primeiro trimestre”, afirma.
Com a neutralidade, a expectativa é de manutenção das chuvas dentro da normalidade, sem interrupções precoces da estação chuvosa. “O período seco, ao que tudo indica, começa na época normal, num momento natural para a época do ano”, explica Desirée. “Não tem risco de corte antecipado da chuva, nem sinal de quebra que possa prejudicar, por exemplo, a segunda safra do milho”, complementa.
O alerta, segundo a especialista, fica para o fim do ano, especialmente no quarto trimestre. “Em termos de efeitos do El Niño, os principais são irregularidade da chuva e ondas de calor”, explica. A próxima atualização oficial do monitoramento climático está prevista para 12 de fevereiro.
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