Clima
La Niña persiste em 2026; saiba como será a atuação nas principais regiões produtoras
Fenômeno terá efeitos desiguais nos polos agrícolas e reforça importância do monitoramento de curto prazo, segundo a AtmosMarine
Redação Agro Estadão
01/01/2026 - 05:02

A próxima safra começará sob um cenário conhecido, mas ainda instável. A La Niña, que se mantém fraca desde outubro, deve atravessar o início de 2026 e reforçar o contraste entre excesso e falta de chuva no País. Modelos internacionais apontam mais de 60% de chance de manutenção da La Niña até janeiro. A análise é da AtmosMarine.
A previsão indica que o fenômeno continuará atuando de forma discreta, com influência limitada no regime de precipitação, mas suficiente para alterar o ritmo das lavouras em regiões-chave. De acordo com a consultoria, o comportamento está ligado a um Índice de Oscilação Sul positivo e a ventos alísios mais fortes, fatores que sustentam o resfriamento do Pacífico.
Entre fevereiro e agosto, a tendência é de neutralidade. A meteorologista Gabryele de Carvalho destaca outro aspecto importante: os sinais de aquecimento do oceano já aparecem nos mapas. “Para o segundo semestre de 2026, embora ainda não haja confirmação estatística, os modelos já indicam um aquecimento progressivo do Pacífico, abrindo margem para monitoramento de um possível El Niño”, afirma.
No curto prazo, porém, a transição de uma La Niña fraca para a neutralidade tende a não exercer grandes influências nos padrões climáticos. “Por isso, o foco do produtor não deve estar no fenômeno global, mas no acompanhamento constante da previsão do tempo de curto e médio prazos, que ditará as janelas de manejo”, afirma Gabryele.
Impacto nas safras: do excesso à falta d’água
A primeira projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 2026 aponta para a produção de 332,7 milhões de toneladas de grãos, queda de 3,7% ante o recorde de 2025. A soja deve alcançar novo recorde: 167,7 milhões de toneladas (+1,1%). Pesou na estimativa a recuperação de áreas afetadas no ciclo anterior.
O vazio sanitário — período em que a cultura deve permanecer ausente do campo para conter a ferrugem asiática — é destacado pela consultoria como instrumento essencial em um ano de maior variabilidade climática.
Gabryele afirma que o produtor deve priorizar o acompanhamento frequente das atualizações meteorológicas. “A combinação de um La Niña persistente, ainda que fraco, com uma transição prevista para a neutralidade cria um ambiente climático de grande variabilidade. O produtor precisa acompanhar as atualizações frequentemente, pois a resposta das culturas será muito diferente entre as regiões”.
De acordo com a especialista, os efeitos do La Niña aparecem de forma desigual no País em janeiro de 2026.
Região Sul
O Rio Grande do Sul tende a registrar chuvas abaixo da média, com risco para o milho 1ª safra e para o estabelecimento inicial da soja e do arroz. No Paraná, o cenário é oposto, com chuva acima da média e risco maior de doenças fúngicas. Santa Catarina apresenta divisão: sul mais seco e norte mais úmido.
Sudeste
São Paulo, Rio de Janeiro e sul de Minas devem ter chuvas acima da média, favorecendo cana, café, milho e soja. No norte mineiro e no Espírito Santo, a previsão é de volumes irregulares e abaixo da média, com impacto direto em lavouras de sequeiro e pastagens.
Centro-Oeste
A região mais produtiva do País deve ser beneficiada por precipitações acima da média, sobretudo no sul do Mato Grosso e no norte do Mato Grosso do Sul. O cenário favorece a soja em fase reprodutiva e o algodão. A alta umidade, porém, amplia o risco de ferrugem asiática, demandando manejo sanitário preventivo e atenção a possíveis dificuldades operacionais caso o excesso de chuva coincida com o início da colheita.
Matopiba
A baixa intensidade da La Niña indica chuvas abaixo da média em janeiro, diferentemente de anos em que o fenômeno foi forte e favoreceu o Nordeste. A irregularidade hídrica pode limitar o potencial produtivo de soja, milho e algodão. A orientação é reforçar técnicas de conservação de solo e água para reduzir o estresse hídrico.
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