Clima
Como El Niño e La Niña afetam o agro brasileiro?
Entenda por que o aquecimento ou resfriamento das águas dita o ritmo da agricultura
Redação Agro Estadão*
26/01/2026 - 05:00

O agronegócio brasileiro funciona como uma “indústria a céu aberto”, onde cada plantio depende do clima. Neste cenário, o El Niño e La Niña são os principais responsáveis pelas mudanças no tempo no país, decidindo se uma safra será boa ou ruim.
Embora aconteçam no Oceano Pacífico, esses fenômenos afetam diretamente o preço dos alimentos e o planejamento das fazendas brasileiras.
O que são El Niño e La Niña e como eles alteram o clima global
Segundo o CPTEC/INPE, centro brasileiro que estuda o clima, o El Niño acontece quando as águas do Oceano Pacífico esquentam mais que o normal. Já a La Niña ocorre quando essas mesmas águas esfriam.
Essas mudanças de temperatura do mar alteram os ventos que circulam pela atmosfera. Durante o El Niño, os ventos ficam mais fracos. Na La Niña, eles se tornam mais fortes.
Essa diferença nos ventos muda onde e quando vai chover em várias partes do mundo, incluindo o Brasil.
O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) explica que esses fenômenos podem durar de 9 meses a 2 anos. Por isso, seus efeitos aparecem em safras inteiras, não apenas em períodos curtos.
Os efeitos do El Niño na agricultura das diferentes regiões do Brasil

Durante o El Niño, os produtores enfrentam situações diferentes dependendo da região. No Norte e Nordeste, as chuvas diminuem muito, causando secas que prejudicam as plantações e os pastos.
Os animais ficam sem comida e as culturas de feijão, milho e mandioca sofrem perdas grandes.
Na Região Sul acontece o contrário: chove demais. O excesso de água traz problemas como erosão do solo e o aparecimento de doenças nas plantas, especialmente fungos que atacam a soja e o milho. As máquinas não conseguem entrar nos campos encharcados para fazer a colheita.
No Centro-Oeste, principal região produtora de grãos do país, o principal impacto do El Niño é o aumento da temperatura. Quando faz mais calor, as plantas crescem mais rápido, o que pode parecer bom. Porém, esse crescimento acelerado faz com que os grãos tenham menos tempo para “encher”, resultando em menor produção por hectare.
Impactos da La Niña na safra brasileira
A La Niña é considerada o maior problema para quem planta soja e milho no Sul do Brasil e no Mato Grosso do Sul.
Durante esse fenômeno, chove muito pouco nessas regiões, causando quebras de safra históricas. O INMET registra que eventos fortes de La Niña podem reduzir a produção em até 30%.
Enquanto isso, o Norte e Nordeste se beneficiam da La Niña, recebendo chuvas regulares. A região do Matopiba (sigla que representa Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) tem condições favoráveis para plantar mais e produzir melhor durante esses períodos.
Como as janelas de plantio são afetadas pelo El Niño e La Niña

A falta ou excesso de chuva causados por esses fenômenos bagunça completamente o calendário agrícola. Quando a La Niña atrasa o plantio da soja, o milho safrinha (segunda safra do ano) pode enfrentar geadas ou seca na hora errada, perdendo produtividade.
O governo criou o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), uma ferramenta que indica os melhores períodos para plantar cada cultura em cada município. O ZARC usa dados históricos do clima, incluindo os efeitos do El Niño e La Niña.
Existe um aplicativo gratuito chamado “Plantio Certo” que qualquer produtor pode usar no celular. Você pode ter acesso clicando aqui: APP Plantio Certo.
Ele mostra quando plantar cada cultura com menor risco de perder a produção por causa do tempo. Regiões afetadas pela La Niña podem ter o período seguro para plantio reduzido em até 15 dias.
O uso de dados científicos para mitigar prejuízos no campo
Hoje, os produtores contam com previsões mais precisas geradas por órgãos federais, como Inmet, e estaduais. Esses centros fazem previsões curtas e mais longas sobre como será o clima, permitindo melhor planejamento.
A Embrapa desenvolveu sementes que resistem melhor à seca, ajudando os produtores a enfrentar períodos de pouca chuva. Essas variedades conseguem produzir mesmo com pouca água.
O Sistema Plantio Direto, técnica em que não se ara a terra, também ajuda a conservar a umidade no solo. Propriedades que usam essa prática sofrem menos com as mudanças climáticas.
Portanto, combinando previsões climáticas confiáveis, sementes adaptadas e técnicas de manejo adequadas, os produtores brasileiros conseguem reduzir os prejuízos causados por esses fenômenos climáticos e manter a produção de alimentos.
*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação Agro Estadão
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