Clima
El Niño deve ganhar força e ampliar riscos climáticos no Brasil
Especialistas apontam calor extremo, chuvas irregulares e maior ocorrência de temporais severos ao longo do ano
Redação Agro Estadão
11/02/2026 - 16:41

O retorno do fenômeno El Niño em 2026 começa a preocupar meteorologistas. As projeções climáticas mais recentes indicam que o aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial deve se estabelecer a partir de maio, com tendência de intensificação nos meses seguintes, alterando, de forma significativa, o padrão do clima em diversas regiões brasileiras.
De acordo com análises da Climatempo, a expectativa é de que o novo episódio do El Niño apresente intensidade entre moderada e forte, com comportamento semelhante ao observado em 2023. Esse cenário favorece tanto a ocorrência de temporais mais severos quanto a formação de ondas de calor prolongadas, especialmente em áreas do interior do Brasil.
Segundo o meteorologista Vinicius Lucyrio, os sinais iniciais indicam um desenvolvimento mais rápido do fenômeno. Modelos internacionais, como os divulgados pela Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA), já apontam maior probabilidade de um El Niño consistente entre o fim do inverno e o início da primavera, período que costuma anteceder o auge do evento, geralmente registrado entre novembro e janeiro.
O aquecimento combinado do oceano e da atmosfera aumenta a energia disponível para a formação de tempestades intensas. Não por acaso, os anos mais quentes já registrados no planeta — 2023 e 2024 — coincidiram com a atuação de um El Niño forte, marcado por eventos climáticos extremos em várias partes do mundo.
Efeitos diferentes
No Brasil, os impactos tendem a ser desiguais. Enquanto o Sul do país deve enfrentar um período mais nublado e chuvoso já durante o inverno, com risco elevado de enchentes e temporais organizados, regiões como a Amazônia, o Nordeste e parte do Brasil Central podem sofrer com a irregularidade das chuvas e longos intervalos de calor e tempo seco.
As análises também indicam que as massas de ar frio terão atuação mais limitada em 2026, com concentração, principalmente, entre maio e junho. A partir de julho, com o fortalecimento do El Niño, a tendência é de redução dessas incursões, abrindo espaço para extremos de temperatura no final do inverno e durante a primavera.
Na Região Norte, a previsão aponta para uma cheia mais expressiva dos rios amazônicos, seguida por uma vazante intensa. Embora ainda seja cedo para avaliar impactos diretos na navegação, especialistas alertam para a possibilidade de períodos prolongados de estiagem e calor elevado após a fase de cheia.
Outro ponto de atenção é o início do próximo período chuvoso. Pancadas isoladas podem ocorrer entre agosto e setembro em áreas como o Centro-Oeste, Sudeste e interior do Nordeste, mas isso não significa regularização das chuvas. A reposição da umidade do solo e dos reservatórios pode ser insuficiente, o que traz reflexos diretos no abastecimento de água, na geração de energia hidrelétrica e no planejamento agrícola.
Diante desse cenário, a Climatempo informa que seguirá acompanhando a evolução dos modelos climáticos globais e de suas ferramentas próprias de previsão, integradas a sistemas de monitoramento e alerta. O objetivo é fornecer informações atualizadas que auxiliem governos, empresas e a população na tomada de decisões frente aos possíveis impactos do El Niño.
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