Clima
País tem geada e alerta vermelho de chuva intensa; veja regiões atingidas
SC e RS registraram frio típico de inverno; corredor de umidade mantém volumes de chuva elevados até sexta-feira, 9
Redação Agro Estadão
05/01/2026 - 10:24

Após a onda de calor da semana passada, o Brasil entra nesta semana sob a influência de uma extensa faixa de chuva persistente, associada ao primeiro episódio da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) de 2026. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), os acumulados podem superar 250 milímetros até sexta-feira, 9, com riscos de alagamentos, cheias de rios e deslizamentos.
O órgão emitiu alerta vermelho, de grande perigo, válido até 23h59 desta segunda-feira,5, para áreas da Bahia, Espírito Santo e Minas Gerais. De acordo com o Inmet, há previsão de chuva com volume superior a 60 milímetros por hora.

RS e SC amanheceram com geada
Esta segunda-feira, 5, marca a consolidação do ZCAS, que começou a se organizar no sábado, 3, e derrubou as temperaturas em várias áreas. Na madrugada de hoje, a Serra Catarinense registrou a segunda geada consecutiva de 2026, transformando a paisagem do Vale dos Caminhos da Neve em um cenário típico de inverno, em pleno verão.
O ZCAS é um corredor de umidade que provoca vários dias seguidos de chuva intensa e persistente, sobretudo nas regiões central e sudeste do País.
O fenômeno chamou a atenção pela abrangência e intensidade, algo que não ocorria com tanta frequência em janeiro desde o início dos anos 2000.

Além da Serra Catarinense, o frio incomum também foi observado em áreas elevadas do Rio Grande do Sul, como os Campos de Cima da Serra. Municípios como São José dos Ausentes e Bom Jesus amanheceram com temperaturas próximas de 1 °C e formação de geada. Até o momento, não há registro de perdas de lavouras.
Frente fria e umidade da Amazônia sustentam chuvas
De acordo com a meteorologista Desirée Brandt, da Nottus, a configuração atmosférica da semana favorece a manutenção da chuva em grande parte do País. “A semana começa com uma frente fria na altura do Sudeste, que junto com as instabilidades provenientes da Amazônia mantém uma área preferencial de chuva entre a costa do Sudeste e a Região Norte do Brasil nos próximos dias”, afirmou.
A previsão também indica chuva frequente e volumes altos em uma área que se estende do Amazonas, passa por Rondônia, Mato Grosso, Goiás, sul do Tocantins e Rio de Janeiro.
Segundo Desirée, o corredor de umidade garante volumes expressivos em regiões estratégicas para o agronegócio. “Os maiores acumulados estarão concentrados entre Minas Gerais, boa parte de Goiás, Mato Grosso, além de áreas da Região Norte e do Matopiba”, disse.
A meteorologista alerta que, em alguns momentos, a chuva tende a ser mais contínua. “A precipitação pode ser mais persistente em alguns períodos, o que pode dificultar momentaneamente os trabalhos em campo”, afirmou.
Esse padrão é típico da ZCAS e difere dos temporais de verão, que costumam ser mais isolados e de curta duração. A persistência aumenta o risco de enxurradas, elevação de rios e instabilidade de encostas, sobretudo em áreas já saturadas.
Tempo firme no Sul e mudança no fim da semana
Enquanto a faixa central do País concentra a chuva mais intensa, o tempo permanece mais firme no centro-sul. Segundo Desirée Brandt, “o Sul do País, boa parte do Estado de São Paulo e Mato Grosso do Sul seguem com tempo mais estável neste início de semana”.
A situação, porém, deve mudar nos próximos dias. “Do meio para o final da semana, novas instabilidades vão se formar na Região Sul. O corredor de umidade passa a se voltar para o Sul do Brasil, alimentando essas instabilidades”, explicou.
Com isso, a tendência é de enfraquecimento da chuva no Centro-Oeste e no Norte ao fim da semana, acompanhado de elevação das temperaturas. “Neste começo de semana, além da nebulosidade e da chuva frequente, a temperatura fica mais amena em comparação aos últimos dias”, disse.
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