Economia
Em apenas 2 meses, Brasil já preencheu 33,6% da cota anual de carne bovina para a China
Como adiantado pelo Agro Estadão, se o País mantiver o ritmo atual de embarque, a cota será liquidada antes do fim do terceiro trimestre
Broadcast Agro
23/03/2026 - 11:07

As exportações brasileiras de carne bovina para a China avançaram em ritmo acelerado no primeiro bimestre de 2026, já consumindo 33,64% da cota anual disponível, segundo dados oficiais do Ministério do Comércio chinês (MOFCOM) e da Administração Geral de Alfândegas (GACC), compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).
De acordo com os dados, o Brasil embarcou 372.083 toneladas da proteína entre janeiro e fevereiro, mantendo ampla liderança entre os fornecedores ao mercado chinês. Em janeiro, foram 211.299 toneladas, recuando para 160.784 toneladas em fevereiro. Ainda assim, o volume acumulado já representa mais de um terço da cota total de 1,106 milhão de toneladas para 2026.
O movimento acendeu um sinal de alerta no setor exportador, que teme impactos ao longo do ano, especialmente no segundo semestre. A Abiec afirmou, em nota, que acompanha o cenário “com atenção” e destaca preocupação com a velocidade de utilização da cota. “Os números mostram um ritmo acelerado de utilização, o que acende um sinal de alerta para o comportamento das exportações ao longo do ano”, disse a entidade.
Entre os principais concorrentes, a Austrália também apresenta avanço relevante, com 35,09% da cota preenchida, seguida pela Argentina, com 20,20%. Já Uruguai (10,86%) e Nova Zelândia (9,38%) exibem ritmo mais moderado de utilização. No total, considerando todos os países, 23,36% da cota global já foi consumida no primeiro bimestre.
Na avaliação da Abiec, a velocidade de consumo da cota pode gerar “impactos relevantes no médio prazo”, sobretudo caso o ritmo de embarques se mantenha elevado nos próximos meses. A entidade ressalta a necessidade de monitoramento mais próximo por parte do governo brasileiro diante das salvaguardas adotadas pela China. “É importante que mecanismos sejam adotados para acompanhar a evolução desse cenário, garantindo maior previsibilidade, equilíbrio comercial e segurança nas relações entre os países”, afirmou a associação.
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