Economia
Trégua no Oriente Médio leva alívio aos mercados, mas agro ainda vê cenário incerto
Petróleo cai forte e arrasta soja e milho após anúncio de Donald Trump; Irã nega negociações
Redação Agro Estadão
23/03/2026 - 11:25

Os mercados globais iniciaram a segunda-feira, 23, em queda para importantes commodities, inclusive aquelas ligadas diretamente ao agro.
Desde o início da manhã, a soja e o milho registram recuo, acompanhando o movimento mais amplo de alívio momentâneo na guerra no Oriente Médio. No caso da oleaginosa, por volta das 11h, todos os contratos operavam em baixa, entre 0,15% e 0,37%. Já no milho, os recuos oscilaram na faixa de 0,8% e 0,9%.
No setor de energia, o petróleo também caiu de forma significativa, com o barril do Brent voltando a ser negociado abaixo de US$ 100, algo que não ocorria desde o último dia 12 de março. A queda no petróleo foi mais acentuada ao longo da manhã, chegando a cerca de 9%, após uma breve alta inicial. O movimento interrompe uma sequência de preços elevados sustentados pelo temor de interrupções na oferta global, especialmente pelo fechamento do Estreito de Ormuz, que é uma rota estratégica para o escoamento de energia. Durante a escalada do conflito no Oriente Médio, o barril alcançou picos recentes próximos de US$ 119.
5 dias de trégua
O gatilho para o movimento observado nos mercados foi uma declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que anunciou uma trégua de cinco dias na guerra com o Irã. Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que houve “conversas muito boas e produtivas” no fim de semana e que determinou o adiamento de qualquer ataque à infraestrutura energética iraniana.
Segundo o site Axios, essas conversas teriam ocorrido de forma indireta, com mediação de representantes da Turquia, Egito e Paquistão, envolvendo o enviado da Casa Branca, Steve Witkoff, e o chanceler iraniano, Abbas Araghchi.
Essa sinalização de pausa no conflito reduziu imediatamente o prêmio de risco embutido nos preços, especialmente no petróleo, o que acabou se transmitindo também para outras commodities, incluindo as agrícolas.
Apesar da reação dos mercados, autoridades iranianas negaram qualquer diálogo com Washington. O Ministério das Relações Exteriores do país afirmou que não há conversas em andamento e que a declaração de Trump teria como objetivo reduzir os preços da energia e ganhar tempo. Veículos de mídia iranianos, como as agências Mehr e Fars, também relataram que não houve contato, nem direto, nem por intermediários. Segundo essas fontes, o recuo americano teria ocorrido após ameaças de retaliação por parte de Teerã, incluindo possíveis ataques a instalações energéticas na região do Golfo e em Israel.
Até o momento, não houve resposta imediata da Casa Branca em relação às contestações iranianas.
Para o agronegócio global, que desde o início da guerra, acompanha uma escalada mundial no preço dos fertilizantes, o cenário ainda é de incerteza. “A insegurança permanece inalterada”, aponta a Markestrat Group.
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