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Economia

Guerra no Oriente Médio: alta do diesel e fertilizantes preocupa, aponta CNA

Com o Irã entre os principais destinos do milho brasileiro, setor avalia efeitos da guerra e já registra aumento nos custos logísticos

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Sabrina Nascimento | são Paulo | sabrina.nascimento@estadao.com

09/03/2026 - 16:22

Incerteza sobre duração do conflito entre EUA, Israel e Irã influencia decisões no campo. Foto: adobe Stock
Incerteza sobre duração do conflito entre EUA, Israel e Irã influencia decisões no campo. Foto: adobe Stock

Uma semana após ser iniciada, a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, com seu agravamento no Oriente Médio intensifica a pressão sobre os custos e a logística do agronegócio brasileiro. 

Nesse momento do conflito, a disparada do preço do petróleo, que encarece o diesel e fertilizantes nitrogenados, é a principal preocupação do setor, conforme avaliação da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

CONTEÚDO PATROCINADO

De acordo com o diretor técnico da CNA, Bruno Lucchi, o impacto interno mais imediato ocorre no combustível usado nas operações agrícolas e no transporte de cargas. Em algumas regiões, produtores já relatam aumento superior a R$ 1 no litro do diesel e até falta do combustível. “O diesel é o ponto mais crítico que a gente enxerga nesse momento, porque o que está acontecendo já impacta no preço. […] O produtor está no período de colheita da soja e do arroz ou plantando a segunda safra de milho, quando há mais máquinas em operação no campo”, afirmou.

Além disso, a alta de custos ocorre em um momento delicado para a renda agrícola. Segundo Lucchi, os preços de várias commodities agrícolas ainda estão mais baixos em comparação com os patamares praticados no mesmo período do ano passado. Como efeito, as margens do produtor estão menores. 

Para tentar amenizar o impacto do combustível no custo do agricultor, a CNA solicitou a antecipação do aumento da mistura obrigatória de biodiesel no diesel. A proposta é elevar o percentual de 15% para 17%. Medida semelhante foi adotada no estopim da guerra entre Rússia e Ucrânia, quando o petróleo também ultrapassou US$ 100 por barril e o diesel chegou a subir cerca de 23% nas bombas. “Tem região que a soja ainda está em torno de R$ 100 a saca, que é preço de período anterior à pandemia. Então, teoricamente é um valor relativamente baixo, que daria para incrementar mais essa mistura e ter uma redução de preço aos usuários deste produto”, explica. 

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Fertilizantes subiram 23%

Outro efeito direto da tensão no Oriente Médio aparece no mercado de fertilizantes nitrogenados. O dirigente da CNA lembra que o Brasil importa cerca de 18% da ureia utilizada nas lavouras de países como Irã e Omã, importantes fornecedores do insumo. Desde o início da escalada do conflito, entretanto, o preço do produto já subiu cerca de 33%, segundo dados monitorados pela CNA até a sexta-feira, 06.

Apesar da alta, o impacto imediato no campo é limitado porque grande parte do fertilizante necessário para a segunda safra de milho já foi comprada. Porém, a incerteza em relação a duração do conflito influência a tomada de decisão do produtor hoje, podendo retardar algumas compras antecipadas que costumam ocorrer neste período do ano. “A preocupação é que ele [o produtor] comece a fazer compras antecipadas agora, e vão até junho. Então, de certa forma, ele consegue esperar mais algumas semanas ainda pra ver se o conflito vai encerrar, se o preço vai se acomodar, ou pra tomar alguma decisão de comprar algum percentual fracionado para uso no segundo semestre e já para safra 26/27”, destacou. 

No radar: exportações de milho, fretes e seguros mais caros

Além dos custos de produção, o setor acompanha possíveis impactos no comércio de milho com o Irã. No ano passado, o Brasil exportou cerca de 9 milhões de toneladas de milho para o país do Golfo Pérsico. O volume representou aproximadamente 23% das vendas externas do produto. 

Apesar disso, o efeito imediato tende a ser limitado, já que a maior parte dos embarques ocorre no segundo semestre. “A partir de agosto é que as exportações ganham força, quando entra no mercado a segunda safra. Então, se o conflito se resolver antes disso, o impacto tende a ser pequeno”, afirmou o diretor técnico da CNA, Bruno Lucchi. Se a guerra se prolongar, no entanto, o setor avalia que as vendas podem ser afetadas em um período mais relevante do calendário comercial. 

Outro fator monitorado é o aumento dos custos logísticos. Exportadores relatam que prêmios de seguro marítimo já subiram com o aumento do risco nas rotas que passam pela região. Multas também começam a ser contabilizadas. “No caso do frango, as empresas têm relatado que têm buscado rotas alternativas. Essas alternativas têm vindo com incrementos nos preços de seguro. O seguro, geralmente, era 0,25% da carga. Já passou para 0,5%. Tem algumas cargas e exportações negociadas a 1% do valor total, que é algo que pesa bastante. Além disso, há as multas por atraso de navios atracados nos portos ao longo do mundo. Isso também aumenta muito o custo de transporte”, enfatiza. 

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