Economia
Lula e Trump se falam e designam emissários para negociar tarifaço
As tratativas para a conversa começaram durante a Assembleia Geral da ONU, em setembro, e foram mantidas em sigilo até esta manhã
Redação Agro Estadão*
06/10/2025 - 12:32

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conversaram por telefone na manhã desta segunda-feira, 06. A conversa durou cerca de 30 minutos, segundo nota do Palácio do Planalto. Até o momento da publicação desta notícia, o compromisso não constava da agenda do presidente Lula.
Conforme a nota do Palácio do Planalto, o diálogo foi “em tom amistoso” e um dos pedidos feitos pelo presidente Lula foi a retirada da sobretaxa de 40% sobre os produtos brasileiros importados pelos norte-americanos. O tarifaço de Trump tem prejudicado as exportações de segmentos do agronegócio como café, carne bovina, pescados e mel.
“O presidente Trump designou o secretário de Estado, Marco Rubio, para dar sequência às negociações com o vice-presidente Geraldo Alckmin, o chanceler Mauro Vieira e o ministro da Fazenda Fernando Haddad”, destacou a nota. Também houve um acordo para que possa haver um encontro presencial em breve, podendo ser na Cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean, sigla em inglês), que ocorrerá a partir de 26 de outubro, na Malásia.
Além de Lula, a conversa foi acompanhada por Alckmin, Haddad, Vieira e o ministro da Secretaria de Comunicação, Sidônio Palmeira, e o assessor especial da Presidência, Celso Amorim. Após participar do encontro, o ministro da Fazenda apenas disse que a reunião foi “positiva”, segundo o Broadcast.
Desde agosto, o Brasil tem uma taxa de 50% sobre uma série de produtos vendidos aos Estados Unidos. Essa alíquota representa os 10%, anunciados em abril, e mais 40% que vieram em uma segunda leva de tarifas.
Uma das alegações do governo de Trump é que os norte-americanos se encontram em uma relação desfavorável nas relações comerciais com o Brasil. Durante a reunião, Lula destacou que os Estados Unidos têm um superávit na balança de bens e serviços em relação ao Brasil, o que não justificaria os impostos.
As tratativas da conversa entre os presidentes começaram depois de um breve contato entre os dois durante a Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), no dia 23 de setembro, em Nova York (EUA). A notícia, na época, foi recebida com otimismo por alguns integrantes do agronegócio brasileiro, que aguardam a entrada de produtos, como café e carne bovina, na lista de exceções.
*Com informações do Broadcast
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