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Economia

Perdas da carne bovina podem cair a US$ 300 milhões com novos mercados

Expectativa da Abiec está baseada no reequilíbrio do mercado global após tarifas, com aumento de volume vindo de países asiáticos

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Daumildo Júnior | Brasília | daumildo.junior@estadao.com

10/09/2025 - 07:00

Novos frigoríficos devem ser habilitados a vender para o Vietnã. | Foto: Adobe Stock
Novos frigoríficos devem ser habilitados a vender para o Vietnã. | Foto: Adobe Stock

Apesar do desempenho positivo das exportações brasileiras de carne bovina em agosto, a tarifa dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros ainda deve impactar o setor, mas em ordem menor do que se projetava anteriormente. Os primeiros cálculos da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) mostraram que esse impacto seria de US$ 1 bilhão neste ano. A associação, porém, já reconsidera a previsão para US$ 300 milhões a US$ 400 milhões, com possibilidade de diminuir ainda mais. 

“A verificar [esses valores], porque essa carne pode ser agregada em outros países e tem que contar com várias variáveis. […] Se houver novas aberturas de mercado, isso [US$ 300 milhões] vai diminuindo mês a mês”, explicou o presidente da Abiec, Roberto Perosa, a jornalistas nesta terça-feira, 9, em Brasília (DF), na apresentação do Beef Report 2025.

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A explicação seria o tempo de vigência para aplicação das tarifas e a dinâmica de mercado. No primeiro aspecto, o presidente pontuou que setembro será o mês em “que a gente vai ver se o americano vai pagar o preço da tarifa”. Isso porque, na prática, em setembro todos os embarques para os Estados Unidos já estão sob a tutela tarifária, o que não aconteceu em agosto. Com isso, o impacto seria contado de setembro até dezembro.  

Além disso, as próprias cadeias produtivas internacionais se reorganizam. Perosa deu o exemplo da Austrália, que deve passar a fornecer mais carne para os americanos, fazendo com que eles percam espaço em outros mercados, já que a produção australiana tem um teto.

“Tem déficit [de carne] nos Estados Unidos. O Brasil não pode vender. Quem pode? A Austrália. A hora em que a Austrália foca as vendas para os Estados Unidos, ela deixa atender vários países da Ásia, e aí o Brasil entra. Equilíbrio global”, exemplificou o presidente. 

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Avanços com outros mercados pode atenuar perdas

A expectativa de novos mercados além de ampliação dos já abertos também pode contribuir para que o impacto caia ainda mais. Com relação a isso, a Abiec demonstra otimismo principalmente com a abertura do Japão. Como mostrado pelo Agro Estadão, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) trabalha com a expectativa de que o anúncio ocorra em novembro ou dezembro de 2025

“Houve fatos concretos que nos levam a crer que haverá uma abertura de mercado do Japão. Houve uma visita de uma comitiva japonesa aqui no Brasil […] Existe um momento diplomático para haver esse anúncio. O momento diplomático está dado, acho que é na COP, com a visita do primeiro ministro japonês em novembro”, comentou Perosa. 

Além disso, as apostas da Abiec estão na Ásia, “onde há demanda crescente”. Por isso, a associação tem buscado o que chamou de “agregações de valor de mercado”. Basicamente, é a ampliação de mercados ou mesmo abertura de mercados para produtos com baixa demanda no Brasil, como miúdos. 

Nesse sentido, Perosa citou o Vietnã, mercado aberto durante a visita do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em março. “Nos próximos dias, devemos ter mais habilitações ao Vietnã”, destacou, ao pontuar que mais 18 empresas deverão ser habilitadas a exportar carne bovina ao país asiático. 

No caso dos miúdos, o presidente destacou a abertura recente da Indonésia, mercado com quase 300 milhões de pessoas. Filipinas e Malásia também estariam no radar para a abertura desse mercado nos respectivos países. 

Já com relação à Turquia, as negociações podem demorar mais. “A Turquia tem alguns questionamentos técnicos que precisam ser vencidos. Estivemos muito próximos da abertura do mercado turco, mas, no último minuto, eles fizeram um questionamento técnico que colocava em xeque a questão sanitária do Brasil. Aí, o governo está tratando isso para retomar num patamar aceitável, para que não seja questionada a qualificação técnica do Brasil”, acrescentou Perosa.

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