Economia
Belagrícola protocola plano de recuperação de R$ 2,2 bilhões
Empresa busca reestruturar dívidas e manter operações enquanto negocia adesão de credores e produtores rurais
Broadcast Agro
12/12/2025 - 10:19

A Belagrícola protocolou na madrugada de ontem (11), seu plano de recuperação extrajudicial na 11ª Vara Cível e Empresarial de Londrina (PR), formalizando a reestruturação de R$ 2,2 bilhões em créditos quirografários dois meses após obter tutela cautelar que suspendeu pagamentos a credores e fixações de grãos. O documento, obtido pelo Broadcast Agro, já tem apoio de credores que detêm R$ 788,5 milhões (35,84% do total), superando o quórum mínimo de um terço exigido pela Lei de Falências.
Segundo o plano, o valor total dos créditos quirografários com direito a voto atinge R$ 2,19 bilhões na data de assinatura, excluídos os credores sem direito a voto. A Vert Securitizadora lidera a lista de credores individuais com R$ 591,3 milhões em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), conforme documentos anexados ao processo. Bancos somam cerca de R$ 1,1 bilhão: Santander (R$ 229,1 milhões), Banco do Brasil (R$ 146,6 milhões), Citibank (R$ 128,9 milhões), Daycoval (R$ 78,2 milhões), Bradesco (R$ 42,9 milhões), Caixa Econômica Federal (R$ 27,3 milhões), Rabobank (R$ 9,7 milhões) e Banco Alfa (R$ 9,2 milhões). A Companhia Província de Securitização responde por R$ 293,6 milhões. FIDCs ligados a Agroforte, Sumitomo Chemical, UPL, SB Crédito, RED, Tecnomyl, Koppert e Daymaxx 2 totalizam cerca de R$ 190 milhões, além de Agrolend (R$ 17,6 milhões).
Em nota divulgada hoje, a Belagrícola afirmou que “o ciclo excepcionalmente adverso vivido pelo agronegócio brasileiro, com quebras de safra, eventos climáticos extremos, juros elevados, retração de crédito e pendências financeiras generalizadas provocou o maior nível de inadimplência já registrado pela Belagrícola”. A empresa disse que o plano pretende “organizar de maneira estruturada e transparente as renegociações com credores, incluindo produtores rurais, financiadores e demais parceiros comerciais”. Segundo o comunicado, “embora o plano contemple soluções importantes para os produtores rurais, sua abrangência engloba todos os credores, formalizando acordos, oferecendo segurança jurídica para todas as partes e preservando a continuidade das operações”.
O pedido representa guinada em relação a outubro, quando a empresa obteve tutela cautelar por 60 dias e declarava não pretender entrar em recuperação judicial. À época, a Belagrícola contratou a consultoria Alvarez & Marsal para elaborar um plano de turnaround. O grupo registrou em 2024 receita de R$ 4,7 bilhões, queda de 39% em relação ao ano anterior, e prejuízo superior a R$ 400 milhões. Segundo fontes do mercado, o impacto acumulado da inadimplência nos últimos dois anos chegou a R$ 1 bilhão em recebíveis. A empresa buscou fechar apoio dos maiores credores antes do vencimento da tutela, ocorrido em 9 de dezembro.
Na nota, a Belagrícola afirmou que “a medida não afeta colaboradores nem a operação das filiais, que seguem com atendimento técnico e fornecimento de insumos, assim como todas as demais atividades”. A empresa informou que “o plano de Recuperação Extrajudicial recebeu apoio dos principais fornecedores de insumos e demais parceiros, demonstrando a confiança na empresa”. O grupo, controlado pela chinesa Pengdu desde 2017 e que atende cerca de 10 mil produtores no Paraná, São Paulo e Santa Catarina, opera 52 lojas de insumos e 58 silos com capacidade de 1,5 milhão de toneladas, além da Bela Sementes (produção de sementes de soja no Paraná e em Patos de Minas-MG) e da DKBR Agro (importação de defensivos pós-patente da China).
A tramitação do processo já registra habilitações de credores como Monsanto, Banco Alfa e Corteva Agriscience, que protocolaram manifestações nos primeiros dias após o pedido. A próxima etapa envolve negociações com produtores rurais para ampliar a adesão e tornar viável a homologação. A empresa mantém conversas com investidores para eventual aporte. No início do ano, esteve próxima de vender participação minoritária à Bunge, mas a transação não se concretizou.
No comunicado, a Belagrícola disse que “reforça seu compromisso histórico de 40 anos com o setor” e que “está conduzindo esse processo com responsabilidade, governança e transparência para garantir sustentabilidade e continuidade nos próximos ciclos”. A companhia agradeceu “o apoio de seus financiadores, colaboradores e assessores jurídicos e financeiros, que têm contribuído de forma decisiva para a condução responsável deste processo”.
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