Economia
Soja do Brasil será afetada brutalmente por acordo entre EUA e China
Para conselheiro de uma das principais empresas processadoras de soja do Brasil, acordo entre as duas potências é inevitável
Sabrina Nascimento | São Paulo | sabrina.nascimento@estadao.com
16/10/2025 - 13:34

Os produtores de soja brasileira serão brutalmente atingidos quando China e Estados Unidos (EUA) sentarem para negociar. Essa é a avaliação de César de Souza, conselheiro e sócio da Caramuru Alimentos, uma das principais empresas brasileiras de processamento de soja, milho e girassol.
Durante o 2º Seminário LIDE – Agronegócio, o dirigente lembrou que, apesar da soja não ser atingida neste momento pelo tarifaço dos Estados Unidos, uma vez que o Brasil não exporta o grão para o mercado norte-americano, a oleaginosa, porém, pode ser atingida quando houver uma negociação entre Donald Trump e Xi Jinping. Esse movimento, segundo ele, é inevitável. “A hora que os EUA sentarem com os chineses, sai debaixo, vai sobrar para nós aqui, produtores de soja, porque os norte-americanos terão que organizar a saída da soja deles”, disse o conselheiro da Caramuru durante o evento desta quinta-feira, 16.
Devido ao impasse entre as duas grandes potências econômicas, os chineses ainda não fecharam nenhuma compra de soja da safra 2025/26 dos EUA. Por lá, o cenário preocupa os agricultores que estão em reta final de colheita. Em contrapartida, Pequim tem abastecido seu mercado com os grãos dos países da América do Sul.
No último mês, as importações chinesas de soja bateram recordes, chegando a quase 13 milhões de toneladas. Do total exportado pelo Brasil, em setembro, a China respondeu por 92% dos embarques de soja, conforme dados da secretaria de Comércio Exterior. No ano, o índice de participação é de 77%.
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