Agropolítica
Acordo Mercosul–UE: Brasil quer vender mais do que commodities
Declaração foi dada pelo presidente Lula; confira os detalhes da assinatura do tratado comercial entre os dois blocos
Daumildo Júnior | Brasília | daumildo.junior@estadao.com
16/01/2026 - 16:57

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, se encontrou nesta sexta-feira, 16, com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poucas horas antes da assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia (veja mais abaixo). O encontro ocorreu no Rio de Janeiro (RJ) e, em seguida, ambos os líderes fizeram uma declaração à imprensa. Lula ressaltou a posição pelo multilateralismo e disse que o Brasil vai mandar para a Europa mais do que commodities.
“Já somos grandes provedores de produtos agropecuários para a União Europeia. Mas não nos limitaremos ao eterno papel de exportadores de commodities. Queremos produzir e vender bens industriais de maior valor agregado”, afirmou Lula.
O presidente brasileiro ainda acrescentou que pretende ampliar acordos comerciais do Mercosul com outros países do mundo. “Continuaremos trabalhando para abrir mais mercados e para construir novas parcerias no mundo todo, em particular com Canadá, México, Vietnã, Japão e China”, completou.
Em tom parecido, a presidente da Comissão Europeia falou sobre a forma como ambos blocos entendem ser a melhor na condução do comércio internacional. “Não é um jogo de zero a zero. Todo mundo deve se beneficiar”, disse von der Leyen.
Ela também qualificou o acerto como a maior zona global de livre comércio. “O acordo tem uma mensagem forte que diz: ‘Sejam bem-vindos ao maior mercado do mundo e à maior área de livre comércio do mundo’. E isso é uma área de parceria, de abertura, é o poder da amizade e do entendimento entre povos e regiões”, destacou.
Assinatura no Paraguai
O presidente do Brasil não deve participar da assinatura do acordo, marcada para ocorrer em Assunção, no Paraguai. Inicialmente, a assinatura do tratado comercial foi preparada para ser feita no Brasil, em dezembro do ano passado, em Foz do Iguaçu (PR), ainda durante a presidência brasileira do Mercosul. Porém, os europeus não aprovaram a assinatura a tempo e havia resistência da Itália na época, o que poderia inviabilizar a aprovação.
A assinatura está prevista para ocorrer a partir das 12h15 (horário de Brasília), no Gran Teatro José Asunción Flores, localizado no Banco Central do Paraguai. A programação é que ocorram discursos dos chefes de Estados ou representantes tanto dos países do Mercosul como da União Europeia. Depois, será feita a assinatura e uma foto oficial. Será possível acompanhar em tempo real nas redes sociais do Mercosul ou pela TV oficial do governo do Paraguai.
O acordo pode incrementar US$ 7 bilhões às exportações brasileiras, segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). Diferentes segmentos da agropecuária devem se beneficiar, como de carnes, frutas e café. No entanto, há receio por parte dos vitivinicultura e preocupação com as cotas e salvaguardas.
Quanto à vigência do acordo, o governo brasileiro quer que esteja em vigor ainda neste ano. Mas o histórico e também a ratificação pelo lado europeu indicam que pode levar mais tempo, como mostrou o colunista do Agro Estadão e ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil, Welber Barral.
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